Uma operação global coordenada pela Interpol, com o apoio da Europol, desmantelou uma vasta rede internacional de tráfico de pessoas, resultando na prisão de 158 suspeitos e no resgate ou identificação de cerca de quatro mil 400 vítimas em 64 países, incluindo o Brasil.
Segundo a Interpol, as redes criminosas estão a tornar-se cada vez mais sofisticadas, explorando novas rotas migratórias, plataformas digitais e populações vulneráveis. “As redes criminosas estão evoluindo, explorando novas rotas, plataformas digitais e populações vulneráveis”, afirmou o secretário-geral da Interpol, Valdecy Urquiza, acrescentando que a identificação desses padrões permite às autoridades antecipar ameaças, desmantelar grupos mais cedo e proteger melhor as vítimas.
Na África, o tráfico humano continua a ser uma séria preocupação. Migrantes têm sido interceptados em rotas perigosas ao longo das costas do Senegal, Guiné-Bissau, Marrocos e Argélia, bem como em corredores terrestres que ligam países da América do Sul, como Peru e Brasil.
De acordo com a Interpol, muitas vítimas africanas são recrutadas sob falsas promessas de emprego no exterior, obrigadas a pagar taxas elevadas e, posteriormente, forçadas a recrutar amigos e familiares, perpetuando esquemas em pirâmide.
Países da África Ocidental e Central, incluindo Benim, Burkina Faso, Costa do Marfim, Gana, Senegal e Serra Leoa, relataram acções policiais que permitiram resgatar mais de 200 vítimas e desmantelar vários centros de recrutamento e exploração.
Na Ásia, uma única operação revelou a existência de 450 trabalhadores explorados num complexo em Mianmar, enquanto, em 2025, uma grande ação contra o cibercrime em África levou à prisão de mil 209 suspeitos envolvidos em fraudes e exploração online, com cerca de 88 mil pessoas como alvo.
No Brasil, a Polícia Federal desmantelou uma rede que recrutava vítimas por meio de anúncios de emprego falsos, traficando-as para Mianmar para exploração sexual, segundo informações da Interpol.
A organização internacional destacou que o combate ao tráfico humano exige cooperação transnacional contínua, uma vez que os criminosos atuam além das fronteiras e adaptam rapidamente as suas estratégias.
As autoridades reforçam que operações conjuntas como esta são essenciais para enfraquecer as redes, responsabilizar os envolvidos e garantir proteção às vítimas.

