Dezenas de milhares de pessoas foram forçadas a abandonar as suas casas no norte de Marrocos na sequência das fortes chuvas e inundações que atingiram várias províncias do país nos últimos dias, provocando mortes, destruição de habitações e o deslocamento em massa de famílias inteiras.
Segundo as autoridades marroquinas, as inundações já causaram pelo menos quatro mortos, entre eles uma criança de dois anos, e uma pessoa continuava desaparecida até domingo.
Em várias localidades, moradores — incluindo crianças e idosos — ficaram ilhados em telhados, sendo resgatados com pequenas embarcações ou helicópteros da defesa civil.
As cheias inundaram estradas, terras agrícolas e zonas habitacionais.Perto da cidade de Kenitra, a cerca de 50 quilómetros a norte de Rabat, foi montado um vasto campo de acolhimento com pequenas tendas azuis, que abriga cerca de 40 mil pessoas deslocadas.
No local, os evacuados enfrentam condições precárias enquanto aguardam autorização para regressar às suas casas. Mulheres lavam roupa em bacias improvisadas, a poucos metros de cercados onde animais resgatados, como vacas, cavalos, galinhas e ovelhas, permanecem confinados.
Homens e mulheres doentes ou com ferimentos leves formam filas diante de uma clínica móvel instalada no acampamento.
A defesa civil tem distribuído colchões, roupas quentes e alimentos às famílias desalojadas, além de prestar assistência médica e cuidados veterinários aos animais, segundo Adil Al-Khatabi, funcionário do serviço de emergência.
Marrocos tem sido atingido por fenómenos climáticos extremos com maior frequência. Em dezembro passado, 37 pessoas morreram em inundações repentinas na cidade de Safi, o desastre climático mais mortal da última década no país.
Situações semelhantes foram registadas recentemente na Argélia e na Tunísia, enquanto tempestades e chuvas intensas também afetaram Portugal e Espanha, evidenciando um padrão regional de condições meteorológicas severas.

