Angola encerrou oficialmente o seu mandato na União Africana, este domingo (15) em Adis Abeba, apresentando um relatório detalhado sobre os avanços e desafios no sector da saúde durante o período em que integrou os órgãos de decisão da organização continental.
O relatório da 5.ª Reunião Ordinária do Comité de Chefes de Estado e de Governo do Centro Africano de Controlo e Prevenção de Doenças, no quadro da 39.ª Cimeira de Chefes de Estado e de Governo da União Africana.
O documento resulta da reunião realizada a 9 de Fevereiro, por via virtual, sob liderança de João Lourenço, então na qualidade de Presidente em exercício da organização continental, e traça um retrato detalhado do estado da saúde pública em África.
No seu pronunciamento, o Chefe de Estado angolano destacou os avanços registados nos últimos anos, nomeadamente o reforço institucional do Africa CDC, a melhoria significativa da execução orçamental, o aumento do número de profissionais e o progresso na vigilância sanitária e resposta a emergências.
O relatório sublinha igualmente a superação de surtos graves, como a Mpox, o Ébola e o vírus de Marburg, além de enfatizar a necessidade de maior autonomia africana no financiamento da saúde, no fabrico local de medicamentos e vacinas e no recurso à saúde digital e à inteligência artificial como pilares estratégicos da soberania sanitária do continente.
O relatório sublinha ainda a necessidade de maior investimento na formação de quadros, melhoria das infra-estruturas hospitalares e fortalecimento dos mecanismos de resposta rápida a emergências sanitárias no continente.
Durante o mandato, Angola defendeu uma maior cooperação entre os Estados-membros, bem como o aumento do financiamento interno para o sector da saúde, reduzindo a dependência de parceiros externos.
Com o fim do mandato, o país reafirmou o seu compromisso em continuar a colaborar activamente com os programas e iniciativas de saúde promovidos pela União Africana, visando o desenvolvimento sustentável e o bem-estar das populações africanas.
O João Lourenço assumiu os destinos da União Africana em Fevereiro do ano passado, em substituição do homólogo da Mauritânia, Mohamed Ould Ghazouani. Passau o testemunho ao homólogo do Burundi, Évariste Ndayishimiye, que terá a responsabilidade de conduzir os destinos da maior organização continental até Fevereiro de 2027.

