João Rego, engenheiro moçambicano de 24 anos, está a desenvolver óculos inteligentes capazes de devolver autonomia a pessoas cegas, numa inovação tecnológica pensada para responder aos desafios do dia a dia nas cidades do país.
O projeto foi inspirado por uma reportagem que mostrava as dificuldades enfrentadas por pessoas com deficiência visual nas ruas de Maputo. Sensibilizado com a situação, decidiu aplicar os seus conhecimentos em engenharia eletrónica e robótica para criar uma solução prática e acessível.
O protótipo utiliza sensores que detetam obstáculos num amplo ângulo de visão e emitem vibrações para alertar o utilizador, permitindo uma locomoção mais segura e natural.
O sistema inclui ainda localização e controlo de bateria em tempo real, tendo já passado por várias versões e testes com voluntários.Sem acesso a um laboratório sofisticado, utiliza materiais locais para desenvolver o dispositivo.
Segundo Rego, óculos funcionam da seguinte forma:“ O utilizador coloca-os como quaisquer óculos normais. A versão patenteada tem 10 sensores que ‘olham’ para 10 pontos diferentes, cobrindo um ângulo de aproximadamente 120 graus.
Dentro desse ângulo, conseguem detetar obstáculos a uma distância de até oito metros, embora estejam otimizados para quatro metros”, explica.
Entre os benefícios da invenção, o jovem assinala que “os óculos vêm ajudar as pessoas a terem uma locomoção mais natural, melhorada e com mais detalhes acerca do ambiente”.
“Para este ano, o objetivo principal é lançar a versão final dos óculos que, na fase piloto, será uma versão que ajudará as pessoas a estarem mais aptas para usar o dispositivo no seu dia a dia”, afirma.
Para o engenheiro esta inovação poderá contribuir, por exemplo, para a empregabilidade, pela autonomia que proporciona, bem como para a educação.Com o trabalho ainda em desenvolvimento, João Rego espera também abrir portas para o fortalecimento de uma tecnologia nacional.
Defende que, se o conhecimento é produzido no país, pode ser reproduzido com maior facilidade em caso de crise, contribuindo para a independência tecnológica e científica de Moçambique.
Apesar de os óculos já lhe terem rendido distinções nacionais e internacionais, o maior sonho do jovem é ver o dispositivo a ser utilizado em todo o país e ao menor preço possível.
“Para Moçambique, em específico, o sonho é tê-los a serem usados em diferentes províncias e por diferentes pessoas com deficiência visual, transformando as suas vidas”, afirma.“Os óculos têm essa capacidade de transformar vidas.”

