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ZFM Celebra os 50 anos da Independência Nacional com Programação Especial Dedicada a Baixa de Cassanje

A Rádio ZFM celebrou, nesta terça-feira (11), em Luanda, os 50 anos da Independência Nacional com uma edição especial que reflectiu sobre os marcos históricos da luta armada, com ênfase nos acontecimentos da Baixa de Cassanje.

O programa, conduzido pelo jornalista Miguel Manuel, teve como convidados o soberano da Baixa de Cassanje, Rei Kulaxingo e o professor e historiador Filipe Vidal, que juntos proporcionaram uma análise aprofundada sobre a importância simbólica e estratégica da região no processo de libertação nacional.

Durante a conversa, o soberano destacou a extensão territorial da Baixa de Cassanje e sublinhou que o início da luta armada antecede o ano de 1961 que foi o palco da grande revolta contra colonialismo português, revelando que já havia resistência organizada muito antes das grandes insurreições oficialmente registadas.

O soberano mencionou ainda a realização de uma feira internacional no passado, que teria sido um dos motivos do conflito, afirmando que “já existia uma feira internacional que reunia produtos como chifres de elefante, mel e borracha vindos do interior. Esses eram os principais produtos de interesse dos colonos, mas a resistência do rei da Baixa de Cassanje à exploração desses recursos foi o que motivou a guerra, já em 1575”.

Ele abordou também as origens históricas da região, explicando que a Baixa de Cassanje se ramificou até áreas como o Kwanza Sul, estendendo-se à Moxico, Huambo, Lunda-Norte e até Luanda, formando uma única linhagem real descendente do Tchinguri — família que se espalhou e estabeleceu diferentes reinados nessas zonas do país.

Por sua vez, o professor e historiador Filipe Vidal reforçou a importância da unidade entre os povos e destacou as fortes razões culturais e a bravura dos líderes desde os tempos de Chinguri.

Apelou ainda às forças militares para estudarem e conhecerem melhor a história da região, sublinhando que a resistência tinha uma base sólida.

“Fizeram parecer que tudo estava fragilizado, fingindo que não havia união, mas, na verdade, era uma estratégia para confundir o colono, com frentes militares organizadas em vários países africanos, como Moçambique e Guiné. Portugal não tinha um dispositivo de inteligência suficientemente forte para perceber isso”, afirmou.

Segundo o historiador, devido à resistência persistente, os colonos portugueses optaram por ataques aéreos, que causaram a destruição das terras e a morte de dezenas de pessoas, numa acção considerada devastadora para a região. Conhecido como massacre da baixa de Cassange.

A programação especial reforça o compromisso da ZFM em valorizar a história e a cultura nacional.

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