O Supremo Tribunal da Nigéria condenou o líder separatista Nnamdi Kanu por sete acusações relacionadas ao terrorismo, após uma sessão realizada esta quinta-feira em Abuja.
A decisão, proferida pelo juiz James Omotosho, conclui que a promotoria apresentou provas “incontestáveis” de que as transmissões de Kanu para o agora banido grupo, Povo Indígena de Biafra (IPOB), incitaram ataques mortais contra forças de segurança e civis no sudeste do país.
Segundo o tribunal, as acções do líder separatista foram consideradas “preparatórias” para actos terroristas. A tensão em torno do nome de Kanu remete a um passado sensível da Nigéria.
Em 1967, a tentativa de secessão da região sudeste e a criação da República de Biafra desencadearam uma guerra civil de três anos, resultando em mais de um milhão de mortos antes da derrota dos rebeldes.
Décadas depois, Kanu reacendeu o ideal separatista ao fundar, em 2009, a Rádio Biafra, transmitida a partir de Londres. Em 2014, criou formalmente o movimento IPOB, que desde então se tornou um dos mais controversos do país.
Durante o processo, Nnamdi Kanu recusou-se a apresentar defesa e, no início de Novembro, solicitou o arquivamento das acusações, alegando serem “nulas”.
A audiência foi marcada por tensão quando o réu acabou retirado à força da sala devido a comportamento considerado indisciplinado, ummomentos antes da leitura do veredicto.
A figura de Kanu permanece profundamente polarizadora na Nigéria: visto como uma ameaça pelo Governo e pelas forças de segurança, mas amplamente exaltado por muitos habitantes da região sudeste, que o consideram um símbolo da luta contra a marginalização histórica da zona.
A condenação deve intensificar o debate nacional sobre a autonomia regional e o uso da força no combate a movimentos separatistas.

