Nesta quarta‑feira, 26, oficiais das Forças Armadas da Guiné‑Bissau declararam, em cadeia da televisão estatal, que tomaram o “controlo total” do país. A operação ocorreu às vésperas da divulgação dos resultados provisórios das eleições presidenciais e legislativas e antecipou mais uma turbulência na história política do país.
Em comunicado, o alto comando militar afirmou ter “assumido os plenos poderes do Estado da República da Guiné-Bissau”.
A declaração afirmava que essa medida era uma reação à “descoberta de um plano em andamento” com o objectivo de desestabilizar o país, tentando “manipular os resultados eleitorais”. O anúncio dos militares ocorreu um dia depois de os dois principais candidatos na acirrada eleição presidencial da semana passada terem declarado vitória.
Mais cedo, foram ouvidos tiros em vários locais da capital, Bissau, incluindo o palácio presidencial, embora não esteja claro quem foram os responsáveis.
O porta-voz militar, Dinis N’Tchama, afirmou que os soldados formaram “o alto comando militar para o restabelecimento da ordem”, que governará o país até segunda ordem.
”Suspender, até novas ordens, todas as instituições da República da Guiné-Bissau, suspender, até novas ordens, as actividades de todos os meios de comunicação, suspender imediatamente o actual processo eleitoral, fechar as fronteiras terrestres, marítimas e o espaço aéreo nacional”, disse ele.
Jornalistas na capital relataram ter visto estradas que davam acesso ao palácio presidencial bloqueadas, com postos de controle ocupados por soldados fortemente armados e mascarados.
A comissão eleitoral deveria anunciar os resultados provisórios das eleições presidenciais e parlamentares hoje.
Um membro importante do grupo internacional de observadores eleitorais afirmou que o chefe da comissão eleitoral foi preso e que o escritório da comissão foi isolado pelos militares.
O portal de notícias francês Jeune Afrique citou Embaló dizendo que foi preso no que chamou de golpe liderado pelo chefe do Estado-Maior do Exército. Ele afirmou não ter sofrido violência.
A Guiné‑Bissau já viveu diversos golpes de Estado desde a independência, em 1974 e este marca um novo capítulo de instabilidade. As eleições de 2025 foram marcadas por controvérsias, com os dois candidatos, Embaló e o opositor Fernando Dias da Costa.
Embaló chegou ao poder em Fevereiro de 2020, mas a constituição do país estabelece o mandato presidencial em cinco anos.
A tomada de poder pelos militares é o mais recente de uma série de golpes de Estado e tentativas de golpe na Guiné-Bissau desde que o país conquistou a independência de Portugal em 1974.

