O último fim-de-semana nas estradas do país ficou marcado por um cenário de luto e preocupação, após a ocorrência de 127 acidentes de viação que resultaram em 33 mortos e 181 feridos, dos quais 101 em estado grave.
As províncias de Luanda e Uíge marcaram as estatísticas, segundo dados avançados pela Direcção de Trânsito e Segurança Rodoviária.
De acordo com o chefe do Departamento de Transgressões e Acidentes, superintendente João de Sousa, que falava à imprensa, o domingo foi o dia mais crítico, com 34 acidentes e 12 mortes registadas. O sábado destacou-se pelo maior número de feridos, contabilizando 68 pessoas lesionadas.
“No que diz respeito à distribuição por províncias, Luanda registou 26 acidentes, uma redução de dois casos face ao período anterior, mas somou quatro mortos (menos dois) e 41 feridos (mais nove). Em segundo lugar surge o Uíge, com nove acidentes, um óbito e 13 feridos, todos números em ligeira redução”, declarou o oficial, citado pela RNA.

Os dados semestrais reforçam a gravidade da situação. O chefe da Assessoria Jurídica e porta-voz da Direcção de Trânsito e Segurança Rodoviária, superintendente chefe Adriano do Rosário, informou que nos primeiros seis meses de 2025 o país ultrapassou os 6 mil acidentes de viação, resultando em quase 2 mil mortos.
“A média diária no período foi de 34 acidentes, oito mortos e 48 feridos. Se fizermos os cálculos pela semana, pelo mês, pelo ano, todos ficaremos assustados pelo número de mortos”, alertou o porta-voz.
Adriano do Rosário salientou ainda que o número real de vítimas mortais pode ser superior ao registado oficialmente, uma vez que Angola não dispõe de um sistema que acompanhe os sinistrados nos 30 dias posteriores ao acidente, período considerado padrão internacional para a contabilização de mortes associadas à sinistralidade rodoviária.
“Nós em Angola ainda não temos o controle efectivo das mortes até 30 dias. Logo, poderão perceber que a realidade dos acidentes de viação é muito maior do que esta que estamos a partilhar”, realçou.
Perante o cenário alarmante de acordo com a RNA, foi lançada a campanha “Via Segura Estou Comprometido”, uma iniciativa de responsabilidade social da Pumangol. A acção pretende reforçar a educação rodoviária e contribuir para a redução da sinistralidade em todo o país.

