Homens armados raptaram pelo menos 20 pessoas, incluindo um pastor e uma noiva, em dois ataques distintos na mais recente onda de raptos na Nigéria.
Os atacantes invadiram no domingo a recém-inaugurada Igreja Querubim e Serafim, no estado de Kogi, na região Central do país, disparando tiros e obrigando os fiéis a fugir em pânico. Raptaram o pastor, a sua mulher e vários outros fiéis.
Noutro ataque na noite anterior, no estado de Sokoto, no Norte do país, uma noiva e as suas damas de honor estavam entre os raptados. Um bebé, a mãe do bebé e outra mulher também foram levados, segundo a agência de notícias AFP. As escolas e os locais de culto têm sido alvos cada vez mais frequentes na mais recente onda de ataques no Norte e Centro da Nigéria.

Não é claro quem está por trás dos raptos – a maioria dos analistas acredita que são levados a cabo por gangues criminosos em busca de resgate. No entanto, um porta-voz da presidência disse à BBC acreditar que são obras de grupos jihadistas. O porta-voz do Governo do estado de Kogi, KingsleyFanwo, confirmou o ataque em Ejiba à BBC, mas não conseguiu confirmar o número de vítimas.
Disse que as autoridades estavam a trabalhar para localizar os atacantes. “A rede de segurança, composta pelas agências de segurança convencionais e pela estrutura de segurança local, está a fazer o que deve fazer”, disse à BBC.
No ataque no estado de Sokoto, de maioria muçulmana, os meios de comunicação locais noticiaram que a noiva se preparava para uma cerimónia de casamento na manhã seguinte e foi raptada juntamente com as suas amigas e outros convidados que foram apoiá-la.
Cerca de 250 crianças em idade escolar e 12 professores continuam desaparecidos após o maior ataque deste tipo das últimas semanas, enquanto os raptados noutras operações já terão sido libertados.
O Estado de Borno está no centro do conflito da Nigéria com os jihadistas, que começou há 16 anos com o Boko Haram. Foi palco do sequestro de quase 300 meninas em Chibok, em 2014. Embora a ameaça jihadista tenha diminuído, tanto o Boko Haram quanto o grupo rival dissidente Estado Islâmico da Província da África Ocidental (ISWAP) continuam perigosos.
De acordo com dados das Nações Unidas, o conflito causou a morte de mais de 40.000 pessoas e forçou mais de dois milhões a fugir de suas casas.

