A República Democrática do Congo e o grupo rebelde M23 formalizaram este sábado, 15, em Doha, no Qatar, um acordo de paz que pretende pôr fim aos combates persistentes no leste do país.
O documento é o mais recente resultado de uma série de entendimentos firmados nos últimos meses, no âmbito dos esforços conduzidos pelos Estados Unidos e pelo Qatar para travar um conflito que dura há décadas, já provocou milhares de mortes e forçou o deslocamento de centenas de milhares de pessoas só este ano.
O processo de mediação tem contado com forte envolvimento internacional. Segundo especialistas, como o analista de relações internacionais Adalberto Malú, a assinatura de mais um acordo volta a trazer ao debate a questão do cumprimento dos compromissos, num contexto em que vários entendimentos anteriores foram violados pelas partes envolvidas.

Para o especialista, o engajamento de actores como Qatar e Estados Unidos aumenta o peso diplomático das negociações e pode favorecer um cumprimento moderado das cláusulas, apesar do histórico de quebras verificadas.
O Qatar tem acolhido as conversações desde Abril, período durante o qual foram alcançados vários avanços, incluindo uma declaração de princípios em Julho e um acordo para monitorização de um possível cessar-fogo em Outubro. Antes disso, os Estados Unidos, durante o governo de Donald Trump, haviam conduzido iniciativas que resultaram na assinatura de um acordo de paz entre a RDC e o Ruanda, país acusado de apoiar o M23.
Apesar de todos estes esforços, a violência no leste congolês continuou ao longo de 2025, inclusive durante fases críticas das negociações em Washington e Doha. Na sexta-feira anterior à assinatura do novo acordo, autoridades locais reportaram a morte de até 28 pessoas em ataques atribuídos a militantes aliados do Estado Islâmico na província de Kivu do Norte, evidenciando a urgência de uma solução duradoura.
O acordo estabelecido no Qatar abrange oito protocolos, e as conversações continuam para definir a implementação de seis deles. As autoridades envolvidas defendem que o entendimento coloca as partes num novo caminho político, sustentado na criação de condições para restaurar a estabilidade e reconstruir a confiança num território marcado por décadas de insegurança.

