Por décadas, algumas potências colónias já circundavam regiões do l d africa, em regiões comerciais do litoral. Portugal tinha presenças em pequenas parcelas de Angola e Moçambique, porém, sem colonizar. A França já tinha invadido a Argélia em 1830, onde enfrentou resistência liderada por Abdul Kader Al Jazari de Damasco, preso em 1847 a 1852, na França. Os povos Cabilas, liderados por Cherif Boubaghla e Lala Fatama também resistiram.
O reino Unido busca consolidar a sua presença na pré colônia do Cabo, extremo-Sul do continente, que veio a ser a África do Sul, anteriormente, controlada pelos holandeses Bowers, desde o século 17, suportados pela Companhia Holandesa das Índias Orientais. A Espanha detinha partes do Sahara Ocidental e Guiné, enquanto a Itália e a Alemanha não possuim territórios por explorar.
A situação económica na Europa, as ideologia em construção e a necessidade de matérias primas, para alimentar a emergente industria, deram gás avança rumo a uma e fonte inesgotável de recursos, para alimentar as suas ambições. África era o lugar ideal. Marfim, borracha e cobre eram carros-chefe das necessidades das indústrias europeias.
Para além das questões económicas, defendia-se na época, o ideal de que se precisava “civilizar” os selvagens, como elas se referiam aos africanos. Civilizar Significava introduzir o Cristianismo, nas suas variadas formas e outros elementos da cultura ocidental. Esse discurso era apresentado como uma preocupação humanitária.
EXPLORADORES QUE SERVIRAM DE ESPIÕES:
David Livingston, missionário e explorador inglês navegou o Centro e Sul do continente, tendo ficado, por anos, com populações locais. Serpa Pinto, explorador português, foi de Leste a Oeste. Os britânicos Richard Burton, Jonh Speke e o escocês James Grant dedicam suas atenções as regiões dos Grades Lagos e Nilo Azul, na segunda nda metade do século 19.
Esses enviados registaram informações sobre as dimensões dos rios Nilo, Longo, Zambeze e Níger, bem como seus recursos.
Durante esse período, em 1865, apenas 10% do território africano era, realmente, controlado pelos europeus. Apenas Argélia pelos pelas franceses, Colônia do Cabo, pelos britânicos e Angola por Portugal.
AS CONFERÊNCIAS
Conferência do Kongo:Catorze potências reunidas , sem um único representante africano.
No Bairro De MIT, na Whillem Strass, número 92, em Berlim, no Palácio Adsuwhil, posteriormente, conhecido por palácio da Chancelaria Imperial, sob a liderança de Otto Von Bismarck, em 15 de novembro de 1884 até fevereiro de 1885, realizou – se a conferência que iria mudar a história, o mapa e as culturas de África, desde o século 19.
Estiveram presentes a Grã Bretanha, França, Portugal, Espanha, Itália, Bélgica, Holanda, Suécia , Noruega, Dinamarca, Rússia, Império Otomano, Estados Unidos, Letónia e o país anfitrião, Alemanha.
O pacto legalizou a expansão, a invasão e a exploração colonial. Porém, antes dessa reunião, o pontapé de saída foi dado, anos antes, na Conferência de Bruxelas, em setembro 1876, convocada pelo rei Leopoldo Segundo da Bélgica. O acto que ocorreu no Palácio Central reuniu cerca de trinta personalidades entre políticos, geógrafos, exploradores e filantropos, que saíram da Alemanha, Austra-Hungria, França, Reino Unido, Itália e Rússia
Para as elites europeia da época, a grandeza de um império dependia de possuir colónias. Esses ideias acenderam os desejos de muitos, gerando uma corrida para essa conquista. Emile Banning, alto funcionário das Relações Exteriores, diplomata e jornalista, sendo homem de confiança do rei da Bélgica, usa as suas capacidades de persuasão, para catapultar a ideia, entre as classes políticas, europeias sobre a necessidade da criação de um projecto filantrópico e científico para África. Obviamente, uma estratégia enganosa. Banning redige o discurso e e acta da Conferência, camuflando as verdadeiras intenções do rei.
Nesse encontro, Leopoldo Segundo o estratega diplomata propôs a criação da Associação Internacional Africana, como forma de convencer às maiores potencias a aderirem o seu plano e receber patrocínios, passando a ideia de ser uma ação de solidariedade,
Para o êxito da sua estratégia, o rei apresentou três objectivos:
1:Exploração científica de África;
2:Abertura de rotas de comunicação;
3:Combater o tráfico de escravizados.
Importa referir que, para o último objectivo, Leopoldo aproveitou o facto de a Europa, naquele período, estar a implementar a abolição da escravatura. Apenas Portugal matinha, clandestinamente, seu negócio de compra e venda seres humanos.
Apesar dos esforços em tentar convencer outros líderes, teve pouco impacto e apoios. Porém, o rei ganhou o estatuto de filantropo, quem lhe valeu, mais tarde a validação para explorar territórios em Africa. Ele, sozinho, tornou-se proprietário do império do Kongo, que passou a se chamar Estado Livre do Congo.
Já como proprietário, as promessas de filantropia não foram materializadas, dando lugar a uma das mais brutais e desumanas explorações que se assistiu, no mundo. A presença de Belgas no Estado Africano só serviu para extrair borracha, marfim, com uso de trabalho forçado. Os que se negassem a trabalhar mais do que podiam lhes eram cortadas as mãos. Para cada acto de resistência, uma parte da mão era amputada até a altura do ombro. Essa acção aterrorizante passou a ser chamada de Política de Mangas Curtas.Muitas vezes, as vítimas dessa barbárie, eram obrigadas a assar os membros amputados e comê-los.
Essas punições foram denunciadas, anos depois, por Morel e pelo jornalista britânico, nascido em frança, Roger Casement, no relatório do Congo e diário de 1903, conhecido como Os Olhos de Outra Raça.
Por: Miguel Manuel

