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Quando os Robôs Ficarem com Todo o Trabalho Chato, O Que Vai Sobrar para Você?

Se alguém em 2015 dissesse que, uma década depois, teríamos robôs humanoides caminhando por fábricas, carregando caixas e tentando parecer úteis, você provavelmente teria rido. Pois é: agora estamos rindo de nervoso. Porque 2025 é o ano em que os humanoides deixam de ser peça de marketing futurista e começam a aparecer nos corredores corporativos (ainda tropeçando, claro, mas presentes).

A verdade é que esta é a primeira vez que a robótica decide competir com o ser humano no nosso próprio território: dois braços, duas pernas e a eterna missão de completar tarefas repetitivas sem perder a vontade de viver (ou sem nunca tê-la, no caso deles). E, sim, há algo poeticamente irônico em ver empresas investindo milhões para construir máquinas que façam justamente aquilo que ninguém quer fazer. A evolução humana agradece.

As estrelas do momento são os humanoides de logística, os novos “estagiários industriais”. A Agility Robotics já tem o Digit circulando por centros de distribuição; a Tesla insiste que o Optimus vai se tornar seu funcionário-modelo; e a Figure inaugura planta para produzir humanóides em escala, como quem diz: “Sim, agora é sério. Ou pelo menos caro o suficiente para parecer sério”.

Apesar da estética futurista, eles ainda são bebês gigantes de titânio. Caem, hesitam, travam, e têm dificuldades com tarefas que qualquer adolescente faz enquanto responde mensagens no celular. Foram feitos para ambientes controlados porque colocar um humanoide numa oficina realista é quase pedir para ele escrever seu próprio aviso prévio. O mundo real mais complexo do que eles estão prontos a encarar.

Mesmo assim, 2025 inaugura uma mudança simbólica já que, pela primeira vez, discutimos robôs não como ficção, mas como infraestrutura. De “quando veremos um humanoide funcional?” passamos para “quanto custa colocar 50 deles no meu armazém?”, pergunta que executivos fazem com uma naturalidade que assusta mais que qualquer apocalipse robótico.

As promessas continuam fartas: humanoides farão trabalhos repetitivos, liberarão pessoas para funções criativas, aumentarão a segurança, otimizarão custos. Tudo verdade, porém numa velocidade bem mais modesta do que os vídeos polidos sugerem. A revolução robótica não será um salto; será um empurrãozinho por vez, como um robô aprendendo a subir escadas: um degrau hoje, dois amanhã, seguida de tropeços no outro dia.

O impacto no trabalho é inevitável mas não apocalíptico. Em vez do clássico “os robôs vão roubar nossos empregos”, talvez devêssemos considerar uma hipótese mais honesta: eles vão roubar apenas os empregos que ninguém reivindicava mesmo. E isso, convenhamos, é quase um serviço público.

Enquanto isso, nós, humanos, continuamos excelentes em tudo aquilo que ainda não é codificável: improviso, empatia, nuance, caos, criatividade e a habilidade invejável de encontrar atalhos para evitar tarefas chatas. Os robôs? Bem, eles terão de aprender isso sozinhos, o que pode levar… décadas.

O futuro dos humanóides está garantido, mas sua glória ainda não. Em 2025, eles continuam uma mistura curiosa de promessas reais, progresso sólido e muita coreografia para vídeos virais. Ainda não dobram roupas, ainda não fazem café, e ainda não entendem ironia (o que, para o mercado de trabalho, já os coloca em desvantagem).

Mas uma coisa é certa: quando os robôs finalmente assumirem todas as tarefas repetitivas, teremos que enfrentar uma pergunta ainda mais incômoda. Não “o que os humanóides serão capazes de fazer?”, mas “o que nós faremos com o tempo que sobrar?”.

E, convenhamos: essa parte da equação é a que realmente nos encanta e nos assusta.

Fonte: forbes.com.br

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