A polícia da Tunísia prendeu, este sábado, Chaima Issa, uma das mais destacadas figuras da oposição ao presidente Kais Saied, enquanto participava num protesto na capital, Túnis.
A detenção ocorre num momento de crescente tensão política e apenas um dia após um tribunal de apelações ter condenado vários líderes oposicionistas, empresários e advogados a penas que chegam aos 45 anos de prisão, sob acusações de conspirarem para derrubar o chefe de Estado.
Chaima Issa, condenada a 20 anos de prisão, chegou a avisar a multidão momentos antes de ser detida: “Vão me prender em breve”, afirmou, apelando aos tunisianos para manterem a resistência política e rejeitarem o que descreve como um caminho de tirania. A opositora denunciou as acusações como infundadas e motivadas por razões políticas, num processo duramente criticado por organizações de direitos humanos.

A Human Rights Watch classificou o julgamento de “farsa da justiça”, sublinhando que as recentes decisões judiciais refletem a crescente deriva autoritária do governo de Saied.
Desde a sua intervenção política em julho de 202, quando suspendeu o Parlamento e assumiu poderes executivos ampliados, o presidente tem intensificado a repressão contra críticos e adversários.
Os advogados de Issa afirmam que a sua detenção pretende reforçar a aplicação da sentença, num clima em que se espera que mais prisões ocorram nos próximos dias. A oposição, fragilizada e dividida, tem renovado apelos à união para enfrentar o que considera ser a maior ameaça à democracia tunisiana desde a revolução de 2011.

