A recente subida do preço da corrida de táxi na província da Huíla está a gerar tensão entre os taxistas, os utentes e as autoridades locais, colocando em rota de colisão associações da classe e o Governo provincial, que já reforçou as medidas de fiscalização dos transportes urbanos de passageiros.
A decisão de aumentar a tarifa foi anunciada pelo presidente da Associação Nova Aliança dos Taxistas de Angola (ANATA) na Huíla, Benedito Nonato, que justificou o reajuste com o aumento acentuado dos custos de manutenção das viaturas, nomeadamente dos materiais gastáveis e combustíveis. No casco urbano do Lubango, a corrida passou de 200 para 300 kwanzas, em todas as rotas.
“Tivemos de subir o preço da corrida de táxi de 200 para 300 kwanzas em todas as rotas da cidade, porque os preços dos materiais estão muito altos e a manutenção das viaturas tornou-se insustentável para os proprietários”, explicou Benedito Nonato.
A alteração também se estende aos transportes intermunicipais, com variações que vão de cem a sete mil kwanzas, dependendo da distância a partir do Lubango. A corrida para o município da Chibia (43 km) passou de 400 para 500 kwanzas, enquanto para o Chipindo (456 km) subiu de cinco mil e 500 para sete mil kwanzas.
Entretanto, a medida não foi bem recebida pelos utentes, que manifestam preocupação face ao alto custo de vida e consideram que o aumento carece de uma justificação plausível. Recorde-se que, em Junho do ano passado, quando a corrida custava 150 kwanzas, a própria associação nacional dos taxistas aprovou a subida para 300 kwanzas, alegando então o aumento do preço do gasóleo.
Face ao anúncio da nova tarifa, o Governo da Huíla intensificou, desde esta segunda-feira, a fiscalização dos transportes urbanos, com especial incidência nos táxis. As acções são coordenadas pelo Gabinete Provincial dos Transportes, Tráfego e Mobilidade Urbana.
Segundo Eliseu Fidelino, chefe do Departamento da referida direcção, a fiscalização visa garantir o cumprimento das tarifas oficialmente estabelecidas, o respeito pelas rotas completas e pela lotação dos veículos, prevenindo práticas irregulares como o encurtamento de linhas e o excesso de passageiros.
A subida do preço, anunciada no final de Dezembro com efeitos a partir de 1 de Janeiro, continua a alimentar o descontentamento popular e a pressionar as autoridades provinciais, num contexto em que o equilíbrio entre a sustentabilidade da actividade dos taxistas e a capacidade financeira dos utentes se mostra cada vez mais frágil na província da Huíla.

