O líder da oposição ugandense, Bobi Wine, encontra-se em fuga após uma operação policial e militar realizada na sua residência, na sequência das eleições presidenciais realizadas na semana passada em Uganda.
O cantor que se tornou político, cujo nome verdadeiro é Robert Kyagulanyi, afirmou ter conseguido escapar à rusga e disse estar atualmente escondido, mudando constantemente de local, com o apoio e proteção de cidadãos comuns.
Principal adversário do Presidente Yoweri Museveni, no poder há cerca de 40 anos, Bobi Wine obteve oficialmente pouco menos de 25 por cento dos votos, contra 72 por cento atribuídos a Museveni. O opositor rejeitou os resultados, classificando o processo eleitoral como um “roubo descarado”, marcado por intimidação, violência, prisões arbitrárias e pelo bloqueio da internet em todo o país.
Em entrevista à agência AFP, Bobi Wine afirmou não ter um plano político definido para o curto prazo, sublinhando que, em contextos autoritários, a oposição age sobretudo de forma reativa. “Em uma ditadura, você não elabora uma estratégia, mas reage ao tipo de opressão”, declarou.
A tensão política agravou-se após declarações ameaçadoras do chefe do exército e filho do Presidente, Muhoozi Kainerugaba. Numa publicação nas redes sociais, Kainerugaba afirmou que forças de segurança teriam matado 22 “terroristas” ligados à Plataforma de Unidade Nacional (NUP), partido liderado por Bobi Wine, acrescentando que “rezava” para que o próximo fosse o próprio líder da oposição, a quem se referiu pelo apelido “Kabobi”.
Bobi Wine reagiu às ameaças rejeitando qualquer envolvimento criminal. “Não sou um criminoso. Sou um candidato à presidência e não é crime concorrer contra o pai dele”, afirmou.
Museveni, por sua vez, acusou a oposição de terrorismo e de tentar anular as eleições através da violência.Segundo Bobi Wine, a sua esposa e outros familiares encontram-se em prisão domiciliária. O opositor denunciou ainda a morte de vários cidadãos que tentavam manifestar-se pacificamente contra o que descreve como “violência à luz do dia”, defendendo que os ugandeses têm o direito constitucional de protestar e de proteger a sua soberania política.
A Plataforma de Unidade Nacional denunciou igualmente perseguições a candidatos do partido em várias circunscrições eleitorais, alegando que existem provas claras de vitórias que não foram reconhecidas pelas autoridades. Bobi Wine classificou o cenário político atual como uma “loucura absoluta”.
Até ao momento, as autoridades policiais limitaram-se a confirmar a instalação de postos de controlo em zonas consideradas sensíveis, sem esclarecer o paradeiro de Bobi Wine. As informações sobre a sua localização permanecem contraditórias, aumentando a incerteza e a tensão política no país.

