Seif al-Islam Gaddafi, filho do antigo líder líbio Muammar Gaddafi, foi morto nesta terça-feira na cidade de Zintan, no oeste da Líbia, em circunstâncias associadas a um ataque armado ocorrido na sua residência.
A informação foi confirmada por membros da sua equipa política e por fontes próximas da família. De acordo com um comunicado divulgado por assessores de Seif al-Islam, o assassinato ocorreu durante confrontos armados registados na zona de Hamada, em Zintan, depois de um grupo armado ter tentado detê-lo no interior da sua casa.
Fontes familiares referem que quatro homens armados balearam a vítima quando esta se encontrava no jardim da residência, tendo os atacantes fugido logo após a ofensiva. As câmaras de vigilância do local teriam sido desactivadas durante a acção.
A brigada 444, uma formação militar ligada ao Governo de Unidade Nacional, negou qualquer envolvimento no incidente, afirmando, em comunicado oficial, que não participou nos confrontos nem na operação que resultou na morte de Seif al-Islam.
Até ao momento, as autoridades líbias não identificaram os autores do ataque nem avançaram motivações claras para o crime. Seif al-Islam Gaddafi, de 53 anos, foi durante anos apontado como um possível sucessor do pai, antes da queda do regime em 2011.
Formado em Relações Internacionais e doutorado pela London School of Economics, chegou a ser visto como a ala reformista do governo líbio. Contudo, durante as revoltas populares de 2011, ganhou notoriedade ao prometer repressão violenta contra os manifestantes, o que contribuiu para o colapso dessa imagem moderada.
Após a queda de Muammar Gaddafi, Seif al-Islam foi capturado no sul da Líbia enquanto tentava fugir para o Níger.
Em 2015, foi condenado à morte à revelia por um tribunal líbio, acusado de incitar a violência e ordenar o assassinato de manifestantes. No entanto, beneficiou posteriormente de uma amnistia e foi libertado em 2017, passando a residir em Zintan.
O filho do antigo dirigente líbio era também procurado pelo Tribunal Penal Internacional (TPI) por crimes contra a humanidade relacionados com a repressão às manifestações de 2011.
Muammar Gaddafi governou a Líbia durante mais de quatro décadas, tendo sido deposto e morto em 2011, na sequência de um levante popular apoiado pela NATO, conflito que mergulhou o país numa prolongada instabilidade política e militar que ainda persiste.

