“Receba as flores que lhe dou e em cada flor um beijo meu…”
Bons tempos, tempo em que o amor era demonstrado com coisas simples; flores, versos românticos, poemas e cartas perfumadas.
O namoro do Kota Rui com aquela “Kilumba” da zona dele, deu muito que falar. O Kota mandou uma carta em papel perfumado e com letras bonitas, disse ela tinha um sorriso bonito, mesmo assim levou um “não” como resposta. Ela não queria dinheiro, apenas queria saber até onde o Kota conseguiria lhe “chachar”.
Eram assim os pedidos de namoros naqueles tempos, tinham que ter papo de verdade, como se diz actualmente na gíria, tinhas que entrar na mente da mboa com as tuas dicas, nada de corrupção. Hoje em dia o namoro, não é compromisso, é compra-me isso!
Jesus está lembrado que nos bons tempos, uma carta de pedido de namoro, era composta por poemas e versos de músicas românticas, acompanhada de uma rosa de folhas secas e cheirosas, acrescida de umas gotas do perfume do Velho, aquele perfume que o Velho só usava uma vez no mês, em ocasiões especiais.
Nos dias actuais, as flores estão a ser postas de lado.
Amor, sentimento verdadeiro e fundamental, está a esfriar, o interesse por bens materiais começou a ganhar terreno. Já não há um escritor apaixonado, com a capacidade de trocar as letras e penetrar o coração da dama. Infelizmente não há uma dama leitora, derretida por palavras doces que queira viajar nas nuvens. O avião do amor, já não funciona com rosas, versos ou poemas.
No dia consagrado aos namorados, é para saírem abraçados por aí a passear, trocarem afectos. Mas as tendências globais mudaram o paradigma amoroso, o interesse material tem corpo e peso, todos os caminhos vão dar aos hotéis, até parece que é o dia de noite de núpcias, não há nenhum quarto disponível para os turistas.
As Pensões, também ficam abarrotadas, todos querem pensar ao mesmo tempo, até fazem fila na sala de espera e enquanto esperam por uma vaga, vem a simulação do interesse pela leitura das revistas expostas na mesinha de centro. As Mulheres com as suas sacolas de presentes nas mãos, muitos homens com as mãos aos bolsos, porque os presentes deles estão escondidos no triângulo das bermudas.
Falando em bermudas… parece que é a única coisa que muitas delas têm a oferecer. O homem pergunta, “o meu presente”?
Ela diz: eu sou o teu presente!
Por isso as bancadas de vendas de presentes têm mais “lingeries”, a venda.
Saiu uma lista de exigências do que não querem receber, ela disse; “Para manter aquilo que é o equilíbrio no nosso perfil, temos também aqui uma lista de coisas que as mulheres não querem receber:
Não queremos receber flores, quer sejam naturais ou artificiais. As artificiais, mete na campa do teu avô. As verdadeiras, estragam.
Não queremos ursos, se já comprou, dá ao seu irmão. Aqui ninguém é criança para brincar com ursos.
Também não queremos pulseiras e fios com nomes, é ridículo.
Não queremos chinelos ou perfumes da Zara.
Não queremos jantares românticos, porque depois a fome bate outra vez “.
Querem o quê então?
Querem dinheiro!!!
Nas bandas dos ngwetas, oferecer flores é básico, já nas nossas bandas, é gato. A garina faz cálculos com a massa gasta nas flores, fica trombuda, quase que corta “minimigo” com o namorado, só querem buqué de dinheiro. Só não se sabe quem é o mais boelo, o que oferece o buqué de dinheiro ou a que recebe. Porque um buqué de dinheiro, com 30 mil kz, custa 45 mil kz. Haja entendimento!
Muitas manas não gostam de jantar a luz de velas, gostam mesmo de quarto escuro, para depois ficarem com o kumbu do jantar. Não gostam de ver um pôr do sol, isso lhes extressa a cabeça.
Em véspera do dia dos namorados, Jesus sabe que muitas manas têm o “Check”, o “Chick” e o “Chock”, na gerência.
O Check é o tal Papoite do arraso, que por norma é o patrocinador que mete bem o Chock, já o Chick, está por conta própria.
O Chick tem presença, é bonito, cheira bem, sabe estar e falar, é o cunhado de luxo. O Chock é o matadouro, só arrasta o pato para o abate.
E, a escala do dia dos namorados fica assim; dia 13, é dia do Check, o Papoite do arraso. Esse também tem mboa dele, a mamã do cúbico, que vai ocupar o dia principal com jantar a luz de velas.
Dia 14, é inteiramente para o Chick, é dia de andar de mãos dadas como em novelas e contos de Fada. Receber a tal flor natural e cheirosa, que irá ao lixo no dia seguinte, receber a caixa de chocolate, um ursinho de peluche e uma “lingerie” que será vandalizada pelo Chock no dia 15.
Jesus, Está De Olho!

