O docente e escritor angolano José Luís Mendonça defendeu, em Luanda, a institucionalização do Umbundo como segunda língua oficial de Angola, com o objectivo de fortalecer a identidade cultural e valorizar de forma mais consistente as raízes africanas do país.
A proposta surgiu no âmbito de uma reflexão sobre a importância das línguas nacionais na consolidação da identidade angolana, num cenário em que o português permanece como única língua oficial, herança do período colonial.
Para o autor, o reconhecimento formal do Umbundo constituiria um gesto simbólico e político relevante no processo de afirmação cultural e de reconexão com a história anterior à colonização.
Segundo José Luís Mendonça, a oficialização da língua predominante nas províncias do Centro e Sul poderia reforçar o sentimento de pertença, especialmente entre os jovens, além de incentivar a produção literária, académica e científica nas línguas nacionais.
Em declarações à ANGOP, o académico destacou que a promoção do Umbundo não deve ser interpretada como elemento de divisão, mas sim como ferramenta de inclusão e coesão social.
Defendeu ainda que o Estado deve apostar na normalização linguística, na investigação científica e na introdução gradual da língua no sistema educativo.Especialistas em políticas linguísticas recordam que o debate sobre a oficialização das línguas nacionais em Angola não é recente e envolve diversos desafios técnicos, pedagógicos e financeiros, desde a capacitação de professores até à elaboração de materiais didácticos.
Contudo, salientam que a Constituição da República já prevê a protecção e valorização das línguas nacionais enquanto património cultural.
A possível elevação do Umbundo ao estatuto de segunda língua oficial reacende, assim, a discussão sobre o modelo de identidade nacional que Angola pretende consolidar: um paradigma centrado exclusivamente na língua herdada do período colonial ou uma visão que integre, de forma mais estruturada, as línguas e culturas originárias do território.

