O porta-voz do Movimento 23 de Março (M23), grupo armado que ocupa territórios no leste da República Democrática do Congo (RDC), Willy Ngoma, foi morto nesta terça-feira (24) durante um ataque com drone na cidade de Rubaya, na província de Kivu do Norte, representando um duro golpe para o movimento rebelde em meio aos esforços de cessar-fogo em curso.
Segundo um alto funcionário do M23, citado pela Africa News, bem como um diplomata regional e um assessor de um governo ocidental, o ataque ocorreu numa importante cidade mineradora de coltan, responsável por aproximadamente 15 por cento da oferta mundial do minério.

Drones do exército congolês alvejaram a área, onde vários oficiais rebeldes teriam sido mortos.
A República Democrática do Congo anunciou, recentemente, ter aceitado o princípio de um cessar-fogo no conflito armado no leste do país, que, segundo o governo, já vitimou 17 mil 15 pessoas nas províncias de Kivu do Norte e Kivu do Sul.
A proposta, resultante de esforços de mediação regional e internacional, previa um congelamento “estrito e imediato” das posições militares.
A movimentação ocorreu após apelo de Angola, mediadora do processo, para que o governo da RDC e o M23 respeitassem um cessar-fogo a partir de 18 de fevereiro.
Um primeiro cessar-fogo humanitário foi anunciado pelo grupo armado, apoiado por Ruanda, em 4 de Fevereiro, mas foi rompido após novas ofensivas no dia seguinte.
O contexto na região de Kivu do Norte e Kivu do Sul, uma das mais ricas em minerais essenciais para a produção de dispositivos eletrónicos e baterias, é marcado por conflitos e disputas por recursos naturais.
Enquanto o governo de Kinshasa acusa Ruanda de exploração ilegal desses recursos, o governo ruandês defende que a sua presença militar visa eliminar grupos armados formados por extremistas hutus envolvidos no genocídio de 1994.
Ao longo dos últimos três anos, o M23 ampliou a sua área de influência e intensificou a desestabilização da região, com constantes combates que agravam a crise humanitária. Estima-se que aproximadamente 7,4 milhões de pessoas tenham sido obrigadas a deslocar-se internamente ou a buscar refúgio em países vizinhos.
Ngoma estava sob sanções da União Europeia desde Dezembro de 2022 pelo seu papel como porta-voz do M23 e foi designado pelos Estados Unidos, em 2023, por suposto envolvimento em violações de direitos humanos, incluindo assassinatos e violência sexual.

