Por: Manuel de Jesus
Pela manhã nas horas escuras, um “wawa” está lotado de povos, na sua maioria jovens com garra e espírito positivo, para fazerem crescer esse canteiro de obras, chamado Angola. Uma das viagens mais longas, Viana ao centro da cidade, para se ir trabalhar.
Nessas horas, os wis que organizam os “paquíces” e gritam os destinos, já estão lá.
As manas dos chás, cafés e galões, estão lá também, para esquentarem os nossos “dugudugo” (a garganta) e o peito. Enquanto isso, o fogareiro da tia do bombó, não o falante, está a ser preparado com o carvão, para as assaduras. Assim, também está o lado das “magogas”.
Noutras zonas, de baldes, escovas e panos de limpezas, estão os rapazes que brilham os “rucas” dos dredas que estão alocados nos escritórios com ar condicionado e computadores. Com isso tudo, o homem que canta está a ferrar tipo preguiça, com babas e ramelas. Já o tio da estatística, está a pensar num número exato, para criar ilusões.
Com uma estimativa de 34 milhões de habitantes, um instituto de estatísticas, diz que onze milhões não querem trabalhar, por livre e espontânea vontade. Onze milhões!?
Quem são esses onze milhões?
Onde vivem esses onze milhões?
Como vivem esses onze milhões?
Sinceramente escrevendo, é um absurdo uma divulgação dessas. Onde e em quanto tempo foi feito o mesmo inquérito?
Muitas pessoas ao cruzarem com Jesus, clamam por emprego.
Jesus gosta de bumbar, assim como tantos outros jovens gostam e procuram.
Onze milhões!?
Onze milhões não gostam trabalhar, esse instituto, que concluiu essa estatística, tem onze milhões de vagas?
Os “caquinhentos mili” empregos de promessa, aquando das eleições de 2017, bateram na rocha. As tais possíveis vagas em certos órgãos do Estado são por links (amiguismo, nepotismo e outros “ismos”. Com ou sem capacidade para uma vaga de emprego, tens que ser dos “ismos”, o íman que te puxa para a cadeira sem precisar passar pelo teste do sofá.
A força motora do país (os jovens e alguns Kotas), estão a tirar o pé da banda, para a Europa bazarem e lá, na lei da sobrevivência, vão lavar cadáveres, varrer ruas, cuidar dos vovós dos ngwetas e serem chamados de pretos, serem cuspidos nas caras, outros vão jogar ténis de parede, assim como fizeram os que bazaram nos anos 90, enquanto nos dávamos na cara, aqui na banda.
Lá nas bandas dos Pulas, as infraestruturas estavam a entrar em crescimento e desenvolvimento, com a mão de obra de quem fugiu o soar das armas. A história vai repetir-se, com o soar das lombrigas no estômago vazio e a falta de emprego.
A tia Teté tem falado bonito em frente às câmaras e diante dos microfones, fala de uns números excessivos de empregabilidade, mas o índice de desemprego só aumenta, aliás é notório o número de empresas que faliram e mandaram dezenas, centenas e milhares de cidadãos para casa.
Afinal são onze milhões de “cunangas”, por opção própria. Caso que deixou de facto, todos estupefactos. E várias são as manifestações em torno dessa obscenidade.
Um compatriota escreveu: “Engracho sapatos na cidade de Luanda, para tal, tenho que acordar às 4 horas e 30 minutos. Tenho carta de condução, um documento que por incrível que pareça, virou diploma.
Sou Operador de empilhadeira, tenho passaporte, outro documento importantíssimo na vida de qualquer angolano batalhador, esse é o diploma do “lengueno”, da “tiroza”, de tirar o pé do limão, ou seja, de ir embora desta selva de betão.
Tenho Excel avançado, domínio básico da língua inglesa, a língua do comércio (do you understand? // quer dizer; você entende?)
Achas mesmo que é minha vontade engrachar sapatos, embora seja considerada uma profissão?
Sou preguiçoso ou não tem emprego?
Óh “coiso”, concentra-te, porque aqui preguiça é nome de animal.”
Jesus está de olho!

