O Presidente de transição de Madagascar, Michael Randrianirina, anunciou que todos os candidatos a cargos ministeriais no novo Governo serão submetidos a testes de polígrafo, numa medida inédita apresentada como parte do combate à corrupção no país.
Segundo o líder militar, apenas os candidatos aprovados nesta fase poderão seguir para entrevistas com o Presidente e o primeiro-ministro.
Ao justificar a decisão, Randrianirina afirmou que o objectivo é filtrar perfis considerados mais confiáveis para integrar o Executivo. “Não estamos à procura de alguém que seja 100 por cento limpo, mas sim alguém que seja mais de 60 por cento limpo”, declarou, acrescentando que o país já adquiriu o equipamento necessário e um especialista para operar o sistema.
Os candidatos que não passarem no teste, segundo explicou, não serão chamados para a fase seguinte.
O polígrafo, conhecido popularmente como detector de mentiras, é um aparelho utilizado para medir alterações fisiológicas do corpo, como batimentos cardíacos, pressão arterial, respiração e transpiração, enquanto uma pessoa responde a perguntas.
A ideia é que determinadas reacções físicas possam indicar stress ou desconforto associados a respostas falsas. No entanto, o método continua a ser controverso, uma vez que não é considerado totalmente fiável por muitos especialistas e tribunais em várias partes do mundo.
Randrianirina, coronel de uma unidade de elite do Exército, assumiu o poder em Outubro, após a deposição do então Presidente Andry Rajoelina, na sequência de protestos populares liderados por jovens descontentes com a pobreza, o desemprego e a falta de oportunidades.
Depois de dissolver o Governo na semana passada e nomear um novo primeiro-ministro no domingo, o líder de transição prometeu organizar eleições dentro de dois anos, numa altura em que cresce a expectativa sobre os próximos passos políticos no país.

