{"id":2063,"date":"2024-09-17T09:13:52","date_gmt":"2024-09-17T09:13:52","guid":{"rendered":"https:\/\/zango.co.ao\/?p=2063"},"modified":"2024-11-06T18:13:41","modified_gmt":"2024-11-06T18:13:41","slug":"uma-reflexao-profetica-e-poetica-das-identidades-do-heroi-nacional","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/zango.co.ao\/index.php\/2024\/09\/17\/uma-reflexao-profetica-e-poetica-das-identidades-do-heroi-nacional\/","title":{"rendered":"UMA REFLEX\u00c3O PROF\u00c9TICA E PO\u00c9TICA DAS IDENTIDADES DO HER\u00d3I NACIONAL"},"content":{"rendered":"\n<p><strong>Por: MONA KISOLA DYA NZAMBI<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>H\u00e1 um murm\u00fario no ventre da terra onde nasceu Agostinho Neto, her\u00f3i da nossa Na\u00e7\u00e3o. O lugar que j\u00e1 foi Bengo, um dia Luanda, hoje \u00e9 Icolo e Bengo.&nbsp;S\u00e3o as&nbsp;fronteiras&nbsp;a&nbsp;moverem-se&nbsp;como sombras ao entardecer. \u00c9 como se a pr\u00f3pria terra, cansada de carregar o peso da sua hist\u00f3ria, se sacudisse, na troca de pele, na mudan\u00e7a de identidade. Mas o her\u00f3i, ah, ele continua, constante e inabal\u00e1vel, mesmo que o ch\u00e3o onde nasceu insista em dan\u00e7ar ao som de novas nomenclaturas.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas ser\u00e1 que&nbsp;a terra que viu nascer&nbsp;Agostinho Neto, que libertou a Na\u00e7\u00e3o, merece esse trato? Que valor tem a const\u00e2ncia do nome diante da mutabilidade da terra? Se at\u00e9 ele, o grande Neto, &#8220;v\u00ea&#8221; a sua identidade moldada e&nbsp;remoldada&nbsp;ao capricho dos tempos, o que ser\u00e1 de n\u00f3s, Z\u00e9 Povinhos, os &#8220;ningu\u00e9ns&#8221; desse pa\u00eds? J\u00e1 cantou o puto, que tem mais que&nbsp;kota&nbsp;Portugu\u00eas: afinal a vida \u00e9 assim&#8230; Tem&nbsp;bwe&nbsp;de coisa pra contar..!<\/p>\n\n\n\n<p>Nem sei se\u00a0n\u00f3s, poeira an\u00f3nima ao vento,\u00a0merecemos tal fluidez, quando at\u00e9 o gigante Agostinho Neto, que colocou nessa terra uma esperan\u00e7a sagrada, n\u00e3o encontra estabilidade no registo da hist\u00f3ria.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-gallery has-nested-images columns-default is-cropped wp-block-gallery-1 is-layout-flex wp-block-gallery-is-layout-flex\">\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"1024\" data-id=\"2069\" src=\"https:\/\/zango.co.ao\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/IMG-20240917-WA0018.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-2069\" srcset=\"https:\/\/zango.co.ao\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/IMG-20240917-WA0018.jpg 1024w, https:\/\/zango.co.ao\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/IMG-20240917-WA0018-300x300.jpg 300w, https:\/\/zango.co.ao\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/IMG-20240917-WA0018-150x150.jpg 150w, https:\/\/zango.co.ao\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/IMG-20240917-WA0018-768x768.jpg 768w, https:\/\/zango.co.ao\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/IMG-20240917-WA0018-204x204.jpg 204w, https:\/\/zango.co.ao\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/IMG-20240917-WA0018-166x166.jpg 166w, https:\/\/zango.co.ao\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/IMG-20240917-WA0018-524x524.jpg 524w, https:\/\/zango.co.ao\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/IMG-20240917-WA0018-716x716.jpg 716w, https:\/\/zango.co.ao\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/IMG-20240917-WA0018-820x820.jpg 820w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/figure>\n<\/figure>\n\n\n\n<p>E foi numa conversa reflexiva com o meu irm\u00e3o, cuja sabedoria desenha mapas invis\u00edveis e&nbsp;invenc\u00edveis&nbsp;da minha&nbsp;consci\u00eancia,&nbsp;Atsoc&nbsp;Nortlad, que essa semente foi plantada na minha mente. Ele, com a sua sabedoria sagaz, me fez questionar se o her\u00f3i merece essa dan\u00e7a de identidades e fronteiras, se ele, que deu tudo pela Na\u00e7\u00e3o, deveria tamb\u00e9m ver a sua origem ser desfeita, perdida no meio das novas divis\u00f5es territoriais. Rimo-nos tanto, a ponto de fazer nascer um filho, um filho da ironia e da reflex\u00e3o.&nbsp;Mas a pergunta, insiste em n\u00e3o querer calar: Se a resposta a essa quest\u00e3o &nbsp;for positiva, como aceitar que n\u00f3s, os que n\u00e3o carregamos peso maior que o da pr\u00f3pria exist\u00eancia, tenhamos direito a uma identidade,&nbsp;uma umbigada, aquela terra que nos viu nascer?<\/p>\n\n\n\n<p>Numa dessas noites de conversa, onde a reflex\u00e3o virou riso, criamos algo mais do que pensamentos. Fizemos nascer um filho. Um rebento da ironia, da filosofia crua e do humor que desarma. A minha barriga, j\u00e1 emprestada a tantas ideias, virou terreno f\u00e9rtil, e a minha vagina, uma passagem para o novo. O filho que geramos n\u00e3o tem nome, porque ele \u00e9 a pr\u00f3pria d\u00favida que nos assombra, a mesma d\u00favida que o solo de Icolo e Bengo lan\u00e7a sobre o nome de Agostinho Neto.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas que filho \u00e9 esse, sen\u00e3o um reflexo das nossas pr\u00f3prias incertezas? Um filho como se o pr\u00f3prio nome fosse uma pris\u00e3o, uma limita\u00e7\u00e3o \u00e0 nossa verdadeira ess\u00eancia. Ele \u00e9 a pr\u00f3pria d\u00favida, a personifica\u00e7\u00e3o da mudan\u00e7a constante que nos cerca. E assim como o her\u00f3i, nosso filho nasce num mundo onde as identidades s\u00e3o como roupas que trocamos ao amanhecer, onde o lugar onde nascemos pode n\u00e3o ser o mesmo lugar onde morremos.<\/p>\n\n\n\n<p>E ent\u00e3o, nesta&nbsp;introspec\u00e7\u00e3o&nbsp;sem fim, me pergunto se seremos, n\u00f3s tamb\u00e9m, uma s\u00e9rie de identidades trocadas ao sabor do vento. Se o lugar onde nascemos, o nome que carregamos, s\u00e3o realmente nossos ou apenas vestes que o tempo h\u00e1 de mudar.<\/p>\n\n\n\n<p>Que nos conforte o facto de sabermos que, o her\u00f3i troca de lugar, de nome, mas a sua ess\u00eancia permanece.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>E como mesmo sem nome fixo, somos parte dessa hist\u00f3ria, ainda que de forma invis\u00edvel, mesmo que a nossa identidade seja, no fim, apenas um eco na mem\u00f3ria de quem por n\u00f3s passou.<\/p>\n\n\n\n<p>E n\u00f3s? Somos levados pela mar\u00e9 da hist\u00f3ria, ora como risos, ora como l\u00e1grimas, mas sempre \u00e0 merc\u00ea de um destino que n\u00e3o podemos controlar. E no final, o que importa n\u00e3o \u00e9 o nome que carregamos, mas a marca que deixamos, mesmo que seja apenas um sussurro no eco do tempo.<\/p>\n\n\n\n<p>A algum lugar,&nbsp;sempre&nbsp;havemos de chegar&#8230; E porque somos mais profetas do que poetas, de certeza, havemos de voltar!<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por: MONA KISOLA DYA NZAMBI H\u00e1 um murm\u00fario no ventre da terra onde nasceu Agostinho Neto, her\u00f3i da nossa Na\u00e7\u00e3o. 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