{"id":2573,"date":"2024-11-21T08:16:48","date_gmt":"2024-11-21T08:16:48","guid":{"rendered":"https:\/\/zango.co.ao\/?p=2573"},"modified":"2024-11-21T08:16:49","modified_gmt":"2024-11-21T08:16:49","slug":"cientistas-descobrem-um-terceiro-estado-entre-a-vida-e-a-morte","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/zango.co.ao\/index.php\/2024\/11\/21\/cientistas-descobrem-um-terceiro-estado-entre-a-vida-e-a-morte\/","title":{"rendered":"Cientistas Descobrem Um \u201cTerceiro Estado\u201d Entre a Vida e a Morte"},"content":{"rendered":"\n<p>Por: Reda\u00e7\u00e3o Portal Zango<\/p>\n\n\n\n<p>Um grupo de bi\u00f3logos celulares afirma que pode existir um \u201cterceiro estado\u201d que desafia as defini\u00e7\u00f5es tradicionais de vida e morte.<\/p>\n\n\n\n<p>De acordo com os cientistas, a morte \u00e9 geralmente entendida como &#8220;a cessa\u00e7\u00e3o irrevers\u00edvel do funcionamento global de um ser vivo&#8221;. No entanto, pr\u00e1ticas como a doa\u00e7\u00e3o de \u00f3rg\u00e3os demonstram que tecidos, \u00f3rg\u00e3os e c\u00e9lulas podem continuar a viver durante algum tempo ap\u00f3s a morte de um organismo.<\/p>\n\n\n\n<p>Dois bi\u00f3logos, Peter Noble, professor associado de microbiologia na Universidade do Alabama em Birmingham, e Alex Puzhitkov, diretor de bioinform\u00e1tica na Escola de Ci\u00eancias Biol\u00f3gicas Earl e Manella, em Hope City (Arkansas), abordaram, num artigo publicado na revista The Conversation, a forma como o surgimento de novos organismos multicelulares pode quebrar os limites das defini\u00e7\u00f5es convencionais.<\/p>\n\n\n\n<p>Os investigadores exploraram em profundidade os processos que ocorrem nos organismos ap\u00f3s a morte, que permitem que as c\u00e9lulas continuem a funcionar e, assim, possibilitem o sucesso de transplantes de \u00f3rg\u00e3os.<\/p>\n\n\n\n<p>A pesquisa revelou que c\u00e9lulas da pele isoladas de embri\u00f5es de r\u00e3s mortas podem adaptar-se espontaneamente \u00e0s condi\u00e7\u00f5es das placas de Petri (placas de laborat\u00f3rio), formando novas estruturas multicelulares chamadas xenobots.<\/p>\n\n\n\n<p>Estas novas estruturas multicelulares apresentaram comportamentos que iam al\u00e9m das suas fun\u00e7\u00f5es biol\u00f3gicas originais. Por exemplo, as estruturas feitas a partir de c\u00e9lulas de embri\u00f5es de r\u00e3s mortas utilizaram os seus c\u00edlios (protuber\u00e2ncias finas semelhantes a p\u00ealos) para se moverem no ambiente, enquanto que, nos embri\u00f5es de r\u00e3s vivos, os c\u00edlios s\u00e3o normalmente usados para mover o muco.<\/p>\n\n\n\n<p>Os xenobots tamb\u00e9m demonstraram a capacidade \u00fanica de realizar uma auto-replica\u00e7\u00e3o cinem\u00e1tica, ou seja, podiam replicar a sua forma f\u00edsica e fun\u00e7\u00e3o sem seguir a via tradicional de crescimento.<\/p>\n\n\n\n<p>Estudos adicionais mostraram que as c\u00e9lulas pulmonares humanas tamb\u00e9m se podem agrupar espontaneamente em pequenos organismos multicelulares com a capacidade de se mover. Estes antropo-rob\u00f4s exibiram comportamentos e estruturas novas e n\u00e3o s\u00f3 podiam manobrar no<\/p>\n\n\n\n<p>ambiente, como tamb\u00e9m conseguiam reparar-se a si pr\u00f3prios e at\u00e9 regenerar c\u00e9lulas nervosas danificadas nas proximidades.<\/p>\n\n\n\n<p>Os resultados destas investiga\u00e7\u00f5es revelaram adapta\u00e7\u00f5es not\u00e1veis nos sistemas celulares, desafiando a no\u00e7\u00e3o de que as c\u00e9lulas e os organismos evoluem apenas de formas pr\u00e9- determinadas.<\/p>\n\n\n\n<p>Este conceito de um \u201cterceiro estado\u201d tamb\u00e9m sugere que o processo de morte de um organismo pode influenciar significativamente a forma como a vida evolui ao longo do tempo.<\/p>\n\n\n\n<p>A capacidade das c\u00e9lulas e dos tecidos para sobreviver e funcionar ap\u00f3s a morte de um organismo \u00e9 influenciada por v\u00e1rios factores, incluindo as condi\u00e7\u00f5es ambientais, a actividade metab\u00f3lica e os m\u00e9todos de manuten\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Diferentes tipos de c\u00e9lulas apresentam tempos de sobreviv\u00eancia distintos. Nos seres humanos, por exemplo, os gl\u00f3bulos brancos normalmente morrem entre 60 a 86 horas ap\u00f3s a morte.<\/p>\n\n\n\n<p>Em contraste, as c\u00e9lulas musculares esquel\u00e9ticas de ratos podem ser regeneradas at\u00e9 14 dias ap\u00f3s a morte, e as c\u00e9lulas de fibroblastos de ovinos e caprinos podem ser implantadas cerca de um m\u00eas ap\u00f3s a morte.<\/p>\n\n\n\n<p>Para determinar se as c\u00e9lulas podem continuar a sobreviver e funcionar ap\u00f3s a morte, \u00e9 necess\u00e1rio observar as suas actividades metab\u00f3licas. Manter vivas as c\u00e9lulas que exigem um fornecimento constante e substancial de energia para realizar as suas fun\u00e7\u00f5es \u00e9 mais dif\u00edcil do que manter c\u00e9lulas que necessitam de menos energia.<\/p>\n\n\n\n<p>T\u00e9cnicas como a congela\u00e7\u00e3o podem ajudar a preservar certas amostras de tecido, como a medula \u00f3ssea, mantendo a sua fun\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Os mecanismos inatos de sobreviv\u00eancia s\u00e3o igualmente cruciais para a continuidade da vida das c\u00e9lulas e tecidos.<\/p>\n\n\n\n<p>Nos genes relacionados com o stress e a imunidade, os investigadores observaram um aumento significativo da actividade p\u00f3s-morte, provavelmente como resposta \u00e0 perda de homeostase (o processo que impede a perda de sangue dos vasos saud\u00e1veis e controla a hemorragia nos vasos danificados).<\/p>\n\n\n\n<p>Factores como traumatismos, infec\u00e7\u00f5es e o tempo decorrido ap\u00f3s a morte tamb\u00e9m t\u00eam um impacto significativo na taxa de sobreviv\u00eancia das c\u00e9lulas e tecidos.<\/p>\n\n\n\n<p>Vari\u00e1veis como a idade, o estado de sa\u00fade, o g\u00e9nero e o tipo de esp\u00e9cie tamb\u00e9m influenciam as condi\u00e7\u00f5es p\u00f3s-morte. Este facto \u00e9 particularmente relevante nos desafios associados \u00e0 cultura e ao transplante de c\u00e9lulas dos ilh\u00e9us de Langerhans (respons\u00e1veis pela produ\u00e7\u00e3o de insulina no p\u00e2ncreas) de dadores para recetores de transplantes de \u00f3rg\u00e3os.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por: Reda\u00e7\u00e3o Portal Zango Um grupo de bi\u00f3logos celulares afirma que pode existir um \u201cterceiro estado\u201d que desafia as defini\u00e7\u00f5es tradicionais de vida e morte. 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