{"id":3707,"date":"2025-03-18T11:18:28","date_gmt":"2025-03-18T11:18:28","guid":{"rendered":"https:\/\/zango.co.ao\/?p=3707"},"modified":"2025-03-18T11:18:30","modified_gmt":"2025-03-18T11:18:30","slug":"xam-a-lingua-adormecida-da-africa-desperta-em-pedra-na-universidade-de-oxford","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/zango.co.ao\/index.php\/2025\/03\/18\/xam-a-lingua-adormecida-da-africa-desperta-em-pedra-na-universidade-de-oxford\/","title":{"rendered":"|xam: A L\u00edngua &#8216;Adormecida&#8217; da \u00c1frica Desperta em Pedra na Universidade de Oxford"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\">No cora\u00e7\u00e3o da Universidade de Oxford, um cap\u00edtulo da hist\u00f3ria africana foi reescrito em pedra.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A sete de Mar\u00e7o do ano em curso, a <em>Rhodes House<\/em> testemunhou uma homenagem solene \u00e0 l\u00edngua |xam, idioma ancestral do povo San. <\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Mais do que uma simples cerim\u00f3nia, o evento marcou a instala\u00e7\u00e3o de uma inscri\u00e7\u00e3o permanente, um tributo que ecoa atrav\u00e9s dos tempos, honrando n\u00e3o apenas a l\u00edngua, mas tamb\u00e9m aqueles que a preservaram.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A inscri\u00e7\u00e3o, uma declara\u00e7\u00e3o que &#8220;recorda e honra o trabalho e o sofrimento daqueles que trabalharam para criar essa riqueza&#8221;, foi meticulosamente traduzida para |xam e esculpida no parapeito de pedra do rec\u00e9m-reformado centro de conven\u00e7\u00f5es da <em>Rhodes House<\/em>.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Este gesto representa uma resposta directa ao legado de Rhodes, cuja bolsa de estudos, embora tenha beneficiado muitos, foi constru\u00edda sobre a expropria\u00e7\u00e3o de terras e a explora\u00e7\u00e3o de popula\u00e7\u00f5es negras na \u00c1frica Austral.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A l\u00edngua |xam, falada at\u00e9 o in\u00edcio do s\u00e9culo XX pelos descendentes dos povos Khoesan e Afrikaner do Cabo Setentrional, era considerada extinta. <\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">No entanto, o trabalho pioneiro dos linguistas Wilhelm Bleek e Lucy Lloyd, que documentaram a l\u00edngua no final do s\u00e9culo XIX na Cidade do Cabo, preservou um legado lingu\u00edstico e cultural inestim\u00e1vel.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A inscri\u00e7\u00e3o em Oxford n\u00e3o apenas imortaliza a l\u00edngua |xam, mas tamb\u00e9m a conecta a um legado cultural mais amplo. L\u00ednguas como o Khoekhoegowab, ainda faladas na \u00c1frica Austral, partilham ra\u00edzes com o |xam, e a sua influ\u00eancia ecoa na literatura sul-africana e no lema do bras\u00e3o de armas da \u00c1frica do Sul: &#8220;povos diversos se unem&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A iniciativa de traduzir e inscrever a declara\u00e7\u00e3o em |xam foi liderada por Elleke Boehmer e Luan Staphorst, estudiosos de hist\u00f3rias liter\u00e1rias e narrativas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em colabora\u00e7\u00e3o com falantes e professores de l\u00ednguas relacionadas, eles garantiram a precis\u00e3o e a sensibilidade da tradu\u00e7\u00e3o. <\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A presen\u00e7a das consoantes de clique caracter\u00edsticas do |xam na inscri\u00e7\u00e3o traz uma marca africana inconfund\u00edvel ao cora\u00e7\u00e3o de Oxford. <\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Mais do que um mero gesto simb\u00f3lico, a escultura representa um acto de resist\u00eancia contra a tomada de terras e a explora\u00e7\u00e3o de pessoas que sustentaram o projecto colonial.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A inscri\u00e7\u00e3o da l\u00edngua |xam na <em>Rhodes House <\/em>n\u00e3o apaga o passado, mas convida a um di\u00e1logo cont\u00ednuo sobre o legado de Cecil Rhodes e o impacto do colonialismo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ao trazer \u00e0 tona uma l\u00edngua e uma cultura quase esquecidas, a Universidade de Oxford reconhece a import\u00e2ncia de reparar injusti\u00e7as hist\u00f3ricas e celebrar a diversidade lingu\u00edstica e cultural.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Por sua vez, este evento marca um passo significativo na jornada de reconhecimento e repara\u00e7\u00e3o, e serve como um lembrete de que as l\u00ednguas e culturas minorit\u00e1rias merecem ser valorizadas e preservadas.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>No cora\u00e7\u00e3o da Universidade de Oxford, um cap\u00edtulo da hist\u00f3ria africana foi reescrito em pedra. 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