{"id":7541,"date":"2025-08-28T07:01:00","date_gmt":"2025-08-28T07:01:00","guid":{"rendered":"https:\/\/zango.co.ao\/?p=7541"},"modified":"2025-08-27T11:53:30","modified_gmt":"2025-08-27T11:53:30","slug":"educar-para-acolher","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/zango.co.ao\/index.php\/2025\/08\/28\/educar-para-acolher\/","title":{"rendered":"Educar para Acolher"},"content":{"rendered":"\n<p>Quando falamos de voca\u00e7\u00e3o, pensamos automaticamente no sacerd\u00f3cio, na vida consagrada ou no matrim\u00f3nio. Mas a voca\u00e7\u00e3o \u00e9, antes de tudo, um chamado ao amor vivido no servi\u00e7o e na doa\u00e7\u00e3o. Cada pessoa, casada ou solteira, com filhos ou sem filhos, \u00e9 convidada a responder ao amor de Deus com a sua pr\u00f3pria vida.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 neste contexto que quero trazer \u00e0 reflex\u00e3o uma realidade muitas vezes silenciada: a dor da infertilidade.<br>Nas minhas conversas com mulheres, percebi como esta dor \u00e9 carregada em segredo. Por fora, sorrisos, por dentro, um vazio dif\u00edcil de nomear.<\/p>\n\n\n\n<p>A cada m\u00eas que passa, a cada teste negativo, a esperan\u00e7a morre um pouco, mas \u00e9 preciso levantar, ir trabalhar e conviver, como se nada estivesse a acontecer.<br>Enquanto isso, chegam as frases que pesam como pedras:<\/p>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\">\n<li>Nos encontros de fam\u00edlia, algu\u00e9m comenta alto: \u201cfilhos nada, est\u00e3o a demorar muito.\u201d<\/li>\n\n\n\n<li>Numa roda de amigas, algu\u00e9m lan\u00e7a uma: \u201cEla n\u00e3o quer estragar o corpo.\u201d<\/li>\n\n\n\n<li>At\u00e9 os vizinhos perguntam sem cerim\u00f3nia: \u201cQuando vem o beb\u00e9?\u201d<\/li>\n<\/ul>\n\n\n\n<p>S\u00e3o perguntas e coment\u00e1rios ditos como se fossem inofensivos, mas que ferem profundamente. Quem ouve n\u00e3o responde, engole em seco, mas por dentro sente-se diminu\u00edda, culpada, incompleta.<\/p>\n\n\n\n<p>A infertilidade mexe n\u00e3o apenas com o corpo, mas com a alma. H\u00e1 mulheres que chegam a evitar festas infantis porque cada crian\u00e7a vista \u00e9 um lembrete doloroso. H\u00e1 quem esconda l\u00e1grimas ao ver uma amiga a anunciar uma gravidez no grupo do WhatsApp.<br>H\u00e1 casais que se afastam da vida social porque j\u00e1 n\u00e3o aguentam as perguntas e as compara\u00e7\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full is-resized\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" width=\"512\" height=\"342\" src=\"https:\/\/zango.co.ao\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/unnamed.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-7591\" style=\"width:436px;height:auto\" srcset=\"https:\/\/zango.co.ao\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/unnamed.jpg 512w, https:\/\/zango.co.ao\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/unnamed-300x200.jpg 300w, https:\/\/zango.co.ao\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/unnamed-332x222.jpg 332w\" sizes=\"(max-width: 512px) 100vw, 512px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p>E, no entanto, este sofrimento \u00e9 quase sempre invis\u00edvel. Na nossa cultura, a press\u00e3o recai quase toda sobre a mulher. \u00c9 ela quem vai ao m\u00e9dico, quem faz exames invasivos, quem carrega a culpa no olhar dos outros. Se a gravidez n\u00e3o acontece, logo se pensa que \u00e9 ela a \u201cculpada\u201d. O homem ao lado, muitas vezes, passa despercebido e em alguns contextos chega-se a sugerir que ele \u201carranje outra\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas tamb\u00e9m os homens sofrem. H\u00e1 quem seja chamado de \u201cmabaco\u201d por n\u00e3o ter filhos. Alguns, pressionados, procuram outras rela\u00e7\u00f5es como se isso resolvesse algo, mas apenas abrem mais feridas. Outros fecham-se em sil\u00eancio, sem coragem de falar sobre o peso que carregam.<br>O que falta? Falta-nos a educa\u00e7\u00e3o que acolhe.<\/p>\n\n\n\n<p>Vivemos numa sociedade que valoriza resultados e n\u00fameros, mas n\u00e3o sabe lidar com as dores que n\u00e3o t\u00eam solu\u00e7\u00e3o imediata. Em vez de ouvir, preferimos dar palpites. Em vez de apoiar, julgamos.<br>Educar para acolher \u00e9 aprender a ter empatia pr\u00e1tica:<\/p>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\">\n<li>\u00c9 ensinar os filhos a n\u00e3o fazer piadas sobre a dor dos outros.<\/li>\n\n\n\n<li>\u00c9 perceber que um casal pode estar a enfrentar exames, cirurgias e noites em claro, mesmo que continue a sorrir em p\u00fablico.<\/li>\n\n\n\n<li>\u00c9 n\u00e3o fazer perguntas invasivas, mas oferecer um abra\u00e7o, uma presen\u00e7a, uma ora\u00e7\u00e3o.<\/li>\n\n\n\n<li>\u00c9 entender que a fertilidade \u00e9 um caminho a dois: n\u00e3o \u00e9 \u201cproblema da mulher\u201d, \u00e9 dor do casal.<\/li>\n<\/ul>\n\n\n\n<p>\u00c9 tamb\u00e9m rever o sentido do matrim\u00f3nio. Um casal n\u00e3o se une apenas para gerar filhos. A voca\u00e7\u00e3o matrimonial \u00e9 maior: \u00e9 chamada ao amor, ao cuidado e \u00e0 fecundidade que se expressa de v\u00e1rias formas. Quem n\u00e3o gera biologicamente pode ser m\u00e3e e pai de crian\u00e7as \u00f3rf\u00e3s, pode dar vida a projectos sociais, pode ser mentor, cuidador, amigo. Pode gerar um futuro no cora\u00e7\u00e3o de outros.<\/p>\n\n\n\n<p>Queridos leitores, no m\u00eas das voca\u00e7\u00f5es fa\u00e7o um convite a revermos os nossos preconceitos. Precisamos de mudar o olhar e aprender a acolher. Deus nos chama a amar, n\u00e3o a ferir. Chama-nos a ser comunidade, n\u00e3o ju\u00edzes.<br>A verdadeira educa\u00e7\u00e3o \u00e9 esta: iluminar o que est\u00e1 escondido, romper o sil\u00eancio das dores invis\u00edveis, formar uma cultura de respeito e justi\u00e7a.<\/p>\n\n\n\n<p>Cada pessoa, com ou sem filhos, \u00e9 portadora de um valor incondicional, porque o amor de Deus n\u00e3o se mede pela fertilidade do corpo, mas pela fecundidade do cora\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Por: Elis\u00e2ngela Chissamba<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Quando falamos de voca\u00e7\u00e3o, pensamos automaticamente no sacerd\u00f3cio, na vida consagrada ou no matrim\u00f3nio. 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