{"id":7962,"date":"2025-09-12T17:07:00","date_gmt":"2025-09-12T17:07:00","guid":{"rendered":"https:\/\/zango.co.ao\/?p=7962"},"modified":"2025-09-12T19:08:37","modified_gmt":"2025-09-12T19:08:37","slug":"como-as-empresas-medem-a-produtividade-dos-funcionarios","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/zango.co.ao\/index.php\/2025\/09\/12\/como-as-empresas-medem-a-produtividade-dos-funcionarios\/","title":{"rendered":"Como as Empresas Medem a Produtividade dos Funcion\u00e1rios"},"content":{"rendered":"\n<p>O debate em torno da produtividade tem ganhado cada vez mais destaque, especialmente ap\u00f3s a consolida\u00e7\u00e3o do trabalho remoto e h\u00edbrido. Com menos contacto f\u00edsico entre gestores e equipas, companhias de diferentes sectores t\u00eam buscado maneiras de acompanhar entregas e identificar quem est\u00e1, de facto, cumprindo a jornada de trabalho.<\/p>\n\n\n\n<p>Na segunda-feira (8), o banco brasileiro Ita\u00fa desligou cerca de mil funcion\u00e1rios que actuavam em regime h\u00edbrido ou remoto, de acordo com o Sindicato dos Banc\u00e1rios. A entidade informou que os profissionais foram monitorados por mais de seis meses e que a decis\u00e3o considerou \u201cbaixa ader\u00eancia ao home office\u201d. \u201cO banco afirma que os desligamentos se baseiam em registros de inactividade nas m\u00e1quinas corporativas, em alguns casos, per\u00edodos de quatro horas ou mais de suposta ociosidade\u201d, escreveu o director do sindicato e banc\u00e1rio do Ita\u00fa, Maikon Azzi, em nota publicada no site.<\/p>\n\n\n\n<p>Em comunicado \u00e0 imprensa, o Ita\u00fa afirmou que as demiss\u00f5es ocorreram ap\u00f3s \u201cuma revis\u00e3o criteriosa de condutas relacionadas ao trabalho remoto e registro de jornada\u201d, sem especificar o n\u00famero de desligados. Segundo o banco, foram identificados padr\u00f5es incompat\u00edveis com os princ\u00edpios de confian\u00e7a, considerados inegoci\u00e1veis. Ou seja, houve diverg\u00eancias entre as actividades acordadas e efectivamente realizadas.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Como medir produtividade?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>O monitoramento digital cresceu com a pandemia e ganhou espa\u00e7o definitivo no mundo corporativo nos \u00faltimos anos. Softwares e ferramentas como Hubstaff, Teramind, Time Doctor e XOne registram dados de uso do computador, n\u00famero de cliques, programas acessados e tempo activo em cada tarefa.<\/p>\n\n\n\n<p>Instalados nos dispositivos corporativos, eles permitem que as empresas acompanhem o desempenho dos times em tempo real \u2013 seja no escrit\u00f3rio ou remotamente. \u201cO monitoramento ajuda a responder perguntas como: Quais sistemas s\u00e3o mais usados para comunica\u00e7\u00e3o? Existem jornadas excessivas que podem levar ao esgotamento?\u201d, explica Sylvia Hartmann, fundadora e CEO da Remota, startup que apoia empresas na adop\u00e7\u00e3o de modelos remoto e h\u00edbrido, mestra e pesquisadora sobre trabalho flex\u00edvel. \u201cEsse tipo de an\u00e1lise gera insights qualitativos, que apoiam efici\u00eancia e sa\u00fade no trabalho.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>O problema, segundo Hartmann, \u00e9 quando o monitoramento se reduz a \u201cvigiar\u201d os profissionais. \u201cSe a empresa mede apenas cliques de mouse e teclado, n\u00e3o est\u00e1 a avaliar produtividade, mas sim movimento.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>Em fun\u00e7\u00f5es operacionais e repectitivas, como suporte t\u00e9cnico ou atendimento ao cliente, indicadores quantitativos como tempo de resposta, volume de chamados ou NPS (Net Promoter Score) podem funcionar bem. J\u00e1 para trabalhos criativos e complexos, \u00e9 preciso avaliar tamb\u00e9m a qualidade das entregas e o valor agregado. \u201cUm dos maiores entraves para o trabalho remoto e h\u00edbrido \u00e9 confundir estar presente com estar comprometido. Presen\u00e7a sem prop\u00f3sito n\u00e3o garante resultado nenhum.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>Em alguns casos, o n\u00edvel de detalhamento dos sistemas de monitoramento pode incluir capturas de tela autom\u00e1ticas, relat\u00f3rios de sites visitados, geolocaliza\u00e7\u00e3o e an\u00e1lises de padr\u00f5es de digita\u00e7\u00e3o, usados para identificar poss\u00edveis fraudes. Essas ferramentas j\u00e1 movimentam um novo mercado e levantam discuss\u00f5es \u00e9ticas sobre at\u00e9 onde vai o direito da empresa de monitorar seus funcion\u00e1rios. \u201cA tecnologia em si n\u00e3o \u00e9 boa ou ruim. O que determina seu valor \u00e9 como a empresa usa os dados.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>No Brasil, a LGPD (Lei Geral de Prote\u00e7\u00e3o de Dados) estabelece que pr\u00e1ticas desse tipo devem seguir o princ\u00edpio da transpar\u00eancia: os funcion\u00e1rios devem ser informados sobre quais dados s\u00e3o colectados, para que finalidade e como ser\u00e3o utilizados. \u201cDesde o primeiro dia, o colaborador deve saber o que ser\u00e1 monitorado, por qual raz\u00e3o, como os dados ser\u00e3o tratados, quais s\u00e3o seus direitos e quais as consequ\u00eancias em caso de descumprimento\u201d, afirma Renata Schop, consultora especialista em compliance e executiva com mais de 30 anos de carreira no Bank of America e Merril Lynch.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" width=\"300\" height=\"168\" src=\"https:\/\/zango.co.ao\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/images-2.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-7966\"\/><\/figure>\n\n\n\n<p><strong>Empresa pode acessar email, Teams e at\u00e9 WhatsApp<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Segundo Schop, as empresas podem acessar emails, aplicativos de mensagens, como Teams ou Slack, e at\u00e9 mesmo o WhatsApp Web, se aberto nos computadores da companhia. \u201cO email corporativo \u00e9 o canal oficial de trabalho e pode ser monitorado para evitar vazamentos de dados ou uso inadequado. O mesmo vale para aplicativos de mensagens\u201d, explica. \u201cO acompanhamento pode ser leg\u00edtimo para garantir foco e produtividade, mas acessar contas pessoais em aparelhos privados \u00e9 proibido.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>Da mesma forma, sistemas internos e softwares corporativos podem ser rastreados para medir efici\u00eancia e detectar falhas. A especialista destaca ainda que a navega\u00e7\u00e3o na internet em conex\u00f5es corporativas tamb\u00e9m pode ser verificada, mas com objectivos espec\u00edficos: seguran\u00e7a da informa\u00e7\u00e3o e produtividade. O risco, segundo ela, \u00e9 transformar esse controlo em vigil\u00e2ncia excessiva. \u201cAs empresas precisam construir controlos robustos para evitar riscos reputacionais e danos jur\u00eddicos.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Presencial ganha for\u00e7a nas empresas<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Em 2024, o Wells Fargo, um dos maiores bancos dos Estados Unidos, demitiu mais de uma d\u00fazia de funcion\u00e1rios ap\u00f3s descobrir que eles utilizavam dispositivos para simular actividade no computador, fingindo que estavam a trabalhar durante o home office. O epis\u00f3dio refor\u00e7ou a tend\u00eancia de empresas globais em endurecer pol\u00edticas de produtividade e exigir maior presen\u00e7a f\u00edsica das equipas.<\/p>\n\n\n\n<p>O movimento de retorno ao escrit\u00f3rio tamb\u00e9m est\u00e1 ligado \u00e0 busca por maior controlo e intera\u00e7\u00e3o entre os profissionais. Nos \u00faltimos dois anos, gigantes como Amazon, Dell, Goldman Sachs e JPMorgan passaram a exigir que seus funcion\u00e1rios estejam presencialmente cinco dias por semana. Na ter\u00e7a-feira (9), a Microsoft anunciou que seus colaboradores dever\u00e3o cumprir pelo menos tr\u00eas dias presenciais, em implementa\u00e7\u00e3o gradual. \u201cA principal raz\u00e3o para o retorno aos escrit\u00f3rios \u00e9 que as empresas continuam a actuar no remoto como se estivessem presenciais, sem adaptar suas pr\u00e1ticas\u201d, diz Hartmann. \u201cO trabalho remoto e o h\u00edbrido demandam outras formas de trab dealhar, colaborar, comunicar e avaliar.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>Na contram\u00e3o das gigantes de tecnologia, o Spotify n\u00e3o tem planos de mudar a pol\u00edtica que permite aos funcion\u00e1rios \u201ctrabalhar de qualquer lugar\u201d. A l\u00edder de recursos humanos da plataforma de m\u00fasica, Katarina Berg, j\u00e1 deu diversas entrevistas afirmando que os funcion\u00e1rios devem ter&nbsp;flexibilidade e liberdade para escolher de onde e como trabalham.<\/p>\n\n\n\n<p>No Brasil, ap\u00f3s a pandemia, mais de 90 por cento das empresas chegaram a adoptar algum modelo h\u00edbrido, segundo a pesquisa OrgBRtrends, da consultoria McKinsey. Hoje, no entanto, 51 por cento das organiza\u00e7\u00f5es j\u00e1 operam em regime totalmente presencial, enquanto 45 por cento mant\u00eam o h\u00edbrido, de acordo com levantamento da Deel em parceria com a Opinion Box. \u201cEmpresas que n\u00e3o reaprenderem a trabalhar no remoto v\u00e3o continuar a se debater, usando mal softwares de monitoramento, colectar dados superficiais, como actividade de mouse e teclado, e punindo sintomas em vez de resolver causas\u201d, afirma Hartmann.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Fonte: forbes.com.br<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O debate em torno da produtividade tem ganhado cada vez mais destaque, especialmente ap\u00f3s a consolida\u00e7\u00e3o do trabalho remoto e h\u00edbrido. Com menos contacto f\u00edsico entre gestores e equipas, companhias [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":8,"featured_media":7964,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"om_disable_all_campaigns":false,"_monsterinsights_skip_tracking":false,"_monsterinsights_sitenote_active":false,"_monsterinsights_sitenote_note":"","_monsterinsights_sitenote_category":0,"_uf_show_specific_survey":0,"_uf_disable_surveys":false,"footnotes":""},"categories":[654],"tags":[],"class_list":["post-7962","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-carreira"],"acf":[],"aioseo_notices":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/zango.co.ao\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7962","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/zango.co.ao\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/zango.co.ao\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/zango.co.ao\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/8"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/zango.co.ao\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=7962"}],"version-history":[{"count":6,"href":"https:\/\/zango.co.ao\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7962\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":7975,"href":"https:\/\/zango.co.ao\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7962\/revisions\/7975"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/zango.co.ao\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/7964"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/zango.co.ao\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=7962"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/zango.co.ao\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=7962"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/zango.co.ao\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=7962"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}