{"id":9280,"date":"2025-11-18T20:05:00","date_gmt":"2025-11-18T20:05:00","guid":{"rendered":"https:\/\/zango.co.ao\/?p=9280"},"modified":"2025-11-18T14:00:01","modified_gmt":"2025-11-18T14:00:01","slug":"conferencia-de-bruxelas-entendendo-acordos-e-impactos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/zango.co.ao\/index.php\/2025\/11\/18\/conferencia-de-bruxelas-entendendo-acordos-e-impactos\/","title":{"rendered":"Confer\u00eancia de Bruxelas: Entendendo Acordos e Impactos"},"content":{"rendered":"\n<p>Por d\u00e9cadas, algumas pot\u00eancias col\u00f3nias j\u00e1 circundavam regi\u00f5es do l d africa, em regi\u00f5es comerciais do litoral. Portugal tinha presen\u00e7as em pequenas parcelas de Angola e Mo\u00e7ambique, por\u00e9m, sem colonizar. A Fran\u00e7a j\u00e1 tinha invadido a Arg\u00e9lia em 1830, onde enfrentou resist\u00eancia liderada por Abdul Kader Al Jazari de Damasco, preso em 1847 a 1852, na Fran\u00e7a. Os povos Cabilas, liderados por Cherif Boubaghla e Lala Fatama tamb\u00e9m resistiram.<\/p>\n\n\n\n<p>O reino Unido busca consolidar a sua presen\u00e7a na pr\u00e9 col\u00f4nia do Cabo, extremo-Sul do continente, que veio a ser a \u00c1frica do Sul, anteriormente, controlada pelos holandeses Bowers, desde o s\u00e9culo 17, suportados pela Companhia Holandesa das \u00cdndias Orientais. A Espanha detinha partes do Sahara Ocidental e Guin\u00e9, enquanto a It\u00e1lia e a Alemanha n\u00e3o possuim territ\u00f3rios por explorar.<\/p>\n\n\n\n<p>A situa\u00e7\u00e3o econ\u00f3mica na Europa, as ideologia em constru\u00e7\u00e3o e a necessidade de mat\u00e9rias primas, para alimentar a emergente industria, deram g\u00e1s avan\u00e7a rumo a uma e fonte inesgot\u00e1vel de recursos, para alimentar as suas ambi\u00e7\u00f5es. \u00c1frica era o lugar ideal. Marfim, borracha e cobre eram carros-chefe das necessidades das ind\u00fastrias europeias. <\/p>\n\n\n\n<p>Para al\u00e9m das quest\u00f5es econ\u00f3micas, defendia-se na \u00e9poca, o ideal de que se precisava &#8220;civilizar&#8221; os selvagens, como elas se referiam aos africanos. Civilizar Significava introduzir o Cristianismo, nas suas variadas formas e outros elementos da cultura ocidental. Esse discurso era apresentado como uma preocupa\u00e7\u00e3o humanit\u00e1ria.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>EXPLORADORES QUE SERVIRAM DE ESPI\u00d5ES:<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>David Livingston, mission\u00e1rio e explorador ingl\u00eas navegou o Centro e Sul do continente, tendo ficado, por anos, com popula\u00e7\u00f5es locais. Serpa Pinto, explorador portugu\u00eas, foi de Leste a Oeste. Os brit\u00e2nicos Richard Burton, Jonh Speke e o escoc\u00eas James Grant dedicam suas aten\u00e7\u00f5es as regi\u00f5es dos Grades Lagos e Nilo Azul, na segunda nda metade do s\u00e9culo 19.<\/p>\n\n\n\n<p>Esses enviados registaram informa\u00e7\u00f5es sobre as dimens\u00f5es dos rios Nilo, Longo, Zambeze e N\u00edger, bem como seus recursos.<\/p>\n\n\n\n<p>Durante esse per\u00edodo, em 1865, apenas 10% do territ\u00f3rio africano era, realmente, controlado pelos europeus. Apenas Arg\u00e9lia pelos pelas franceses, Col\u00f4nia do Cabo, pelos brit\u00e2nicos e Angola por Portugal.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>AS CONFER\u00caNCIAS<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Confer\u00eancia do Kongo:Catorze pot\u00eancias reunidas , sem um \u00fanico representante africano.<\/p>\n\n\n\n<p>No Bairro De MIT, na Whillem Strass, n\u00famero 92, em Berlim, no Pal\u00e1cio Adsuwhil, posteriormente, conhecido por pal\u00e1cio da Chancelaria Imperial, sob a lideran\u00e7a de Otto Von Bismarck, em 15 de novembro de 1884 at\u00e9 fevereiro de 1885, realizou &#8211; se a confer\u00eancia que iria mudar a hist\u00f3ria, o mapa e as culturas de \u00c1frica, desde o s\u00e9culo 19.<\/p>\n\n\n\n<p>Estiveram presentes a Gr\u00e3 Bretanha, Fran\u00e7a, Portugal, Espanha, It\u00e1lia, B\u00e9lgica, Holanda, Su\u00e9cia , Noruega, Dinamarca, R\u00fassia, Imp\u00e9rio Otomano, Estados Unidos, Let\u00f3nia e o pa\u00eds anfitri\u00e3o, Alemanha.<\/p>\n\n\n\n<p>O pacto legalizou a expans\u00e3o, a invas\u00e3o e a explora\u00e7\u00e3o colonial. Por\u00e9m, antes dessa reuni\u00e3o, o pontap\u00e9 de sa\u00edda foi dado, anos antes, na Confer\u00eancia de Bruxelas, em setembro 1876, convocada pelo rei Leopoldo Segundo da B\u00e9lgica. O acto que ocorreu no Pal\u00e1cio Central reuniu cerca de trinta personalidades entre pol\u00edticos, ge\u00f3grafos, exploradores e filantropos, que sa\u00edram da Alemanha, Austra-Hungria, Fran\u00e7a, Reino Unido, It\u00e1lia e R\u00fassia<\/p>\n\n\n\n<p>Para as elites europeia da \u00e9poca, a grandeza de um imp\u00e9rio dependia de possuir col\u00f3nias. Esses ideias acenderam os desejos de muitos, gerando uma corrida para essa conquista. Emile Banning, alto funcion\u00e1rio das Rela\u00e7\u00f5es Exteriores, diplomata e jornalista, sendo homem de confian\u00e7a do rei da B\u00e9lgica, usa as suas capacidades de persuas\u00e3o, para catapultar a ideia, entre as classes pol\u00edticas, europeias sobre a necessidade da cria\u00e7\u00e3o de um projecto filantr\u00f3pico e cient\u00edfico para \u00c1frica. Obviamente, uma estrat\u00e9gia enganosa. Banning redige o discurso e e acta da Confer\u00eancia, camuflando as verdadeiras inten\u00e7\u00f5es do rei.<\/p>\n\n\n\n<p>Nesse encontro, Leopoldo Segundo o estratega diplomata prop\u00f4s a cria\u00e7\u00e3o da Associa\u00e7\u00e3o Internacional Africana, como forma de convencer \u00e0s maiores potencias a aderirem o seu plano e receber patroc\u00ednios, passando a ideia de ser uma a\u00e7\u00e3o de solidariedade,<br>Para o \u00eaxito da sua estrat\u00e9gia, o rei apresentou tr\u00eas objectivos:<\/p>\n\n\n\n<p>1:Explora\u00e7\u00e3o cient\u00edfica de \u00c1frica;<br>2:Abertura de rotas de comunica\u00e7\u00e3o;<br>3:Combater o tr\u00e1fico de escravizados.<\/p>\n\n\n\n<p>Importa referir que, para o \u00faltimo objectivo, Leopoldo aproveitou o facto de a Europa, naquele per\u00edodo, estar a implementar a aboli\u00e7\u00e3o da escravatura. Apenas Portugal matinha, clandestinamente, seu neg\u00f3cio de compra e venda seres humanos.<\/p>\n\n\n\n<p>Apesar dos esfor\u00e7os em tentar convencer outros l\u00edderes, teve pouco impacto e apoios. Por\u00e9m, o rei ganhou o estatuto de filantropo, quem lhe valeu, mais tarde a valida\u00e7\u00e3o para explorar territ\u00f3rios em Africa. Ele, sozinho, tornou-se propriet\u00e1rio do imp\u00e9rio do Kongo, que passou a se chamar Estado Livre do Congo.<\/p>\n\n\n\n<p>J\u00e1 como propriet\u00e1rio, as promessas de filantropia n\u00e3o foram materializadas, dando lugar a uma das mais brutais e desumanas explora\u00e7\u00f5es que se assistiu, no mundo. A presen\u00e7a de Belgas no Estado Africano s\u00f3 serviu para extrair borracha, marfim, com uso de trabalho for\u00e7ado. Os que se negassem a trabalhar mais do que podiam lhes eram cortadas as m\u00e3os. Para cada acto de resist\u00eancia, uma parte da m\u00e3o era amputada at\u00e9 a altura do ombro. Essa ac\u00e7\u00e3o aterrorizante passou a ser chamada de Pol\u00edtica de Mangas Curtas.Muitas vezes, as v\u00edtimas dessa barb\u00e1rie, eram obrigadas a assar os membros amputados e com\u00ea-los.<\/p>\n\n\n\n<p>Essas puni\u00e7\u00f5es foram denunciadas, anos depois, por Morel e pelo jornalista brit\u00e2nico, nascido em fran\u00e7a, Roger Casement, no relat\u00f3rio do Congo e di\u00e1rio de 1903, conhecido como Os Olhos de Outra Ra\u00e7a.<br><br><strong>Por: <\/strong>Miguel Manuel<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por d\u00e9cadas, algumas pot\u00eancias col\u00f3nias j\u00e1 circundavam regi\u00f5es do l d africa, em regi\u00f5es comerciais do litoral. Portugal tinha presen\u00e7as em pequenas parcelas de Angola e Mo\u00e7ambique, por\u00e9m, sem colonizar. 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