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Programa Conversa Africana da ZFM faz Reflexão Sobre Poligamia

Sob o tema “Poligamia”, o programa Conversa Africana da ZFM 98.1, realizou, nesta segunda-feira, 2 de Março , a sua primeira edição do mês, dedicado à mulher.

A abordagem propôs uma reflexão sobre uma prática que atravessa séculos e continua a dividir opiniões, a poligamia.

O programa, conduzido pelo jornalista Miguel Manuel, contou com a participação de profissionais de diferentes áreas, entre eles Edna Mara, jornalista e praticante do islamismo; Amélia Almeida, psicóloga africana; N’Simba Longo, reverendo da Igreja Boa Nova Mensagem KCC, de tradição hebraica; e José Elias Alberto, historiador.

Durante a conversa, Amélia Almeida, psicóloga africana, considerou a poligamia um modelo que consiste em um indivíduo ter várias parceiras, partilhando o amor, os bens materiais e as responsabilidades decorrentes dessa escolha.

A especialista sublinhou que a poligamia, na sociedade angolana, “continua viva entre nós”.De acordo com a psicóloga, a poligamia deve ser analisada e organizada dentro de diferentes modelos culturais e sociais.

Ao comparar alguns problemas que afectam a sociedade actual, como consequência da não aceitação ou da falta de organização dessa prática, mencionou questões como o aumento do HIV, a fuga à paternidade, a promiscuidade e o abandono familiar, apontando esses factores como algumas das razões que dificultam a valorização e o reconhecimento das concubinas.

Por sua vez, Edna Mara esclareceu que não se pode confundir poligamia com promiscuidade. A jornalista explicou que a religião islâmica permite a poligamia dentro de determinadas regras, alertando que não se deve romantizar essa prática sem considerar as responsabilidades que um indivíduo assume ao tornar-se polígamo.

“No máximo quatro mulheres”, explicou, sublinhando que não se trata de uma obrigação geral, mas de uma possibilidade permitida pela religião dentro de normas específicas.

A jornalista acrescentou ainda que, em determinadas situações, como viagens prolongadas, pode existir a formalização de uma união temporária, conhecida como “muta”, que também obedece a regras específicas estabelecidas pela religião.

Por sua vez, N’Simba Longo, reverendo da Igreja Boa Nova Mensagem KCC, de tradição hebraica, afirmou que, na visão hebraica, a poligamia é vista como um erro humano, podendo inclusive resultar em punição divina.

Segundo o religioso, ao homem não é permitido manter várias relações, devendo permanecer apenas com uma única mulher.”Nós temos os mandamentos e não podemos adulterá-los .A Bíblia condena”, afirmou.

Já o historiador José Elias Alberto considerou que o conceito de poligamia, no contexto bantu, está ligado à organização social e económica tradicional. Segundo ele, a mulher era vista como parte da riqueza do homem africano.

“A riqueza do homem africano é a mulher. Entre os povos bantu, que viviam também do comércio, surgia a necessidade de realizar trocas, e a mulher desempenhava um papel importante na agricultura, o que levava à ideia de acumulação de riqueza”, explicou.

Vale lembrar que a poligamia é o oposto da monogamia e consiste no casamento com mais de uma pessoa. Defende-se que essa prática é mais comum em alguns países africanos.

Existe também a forma em que a mulher é casada com vários homens; nesse caso, menos comum, a prática é chamada de poliandria, sendo mais frequente em sociedades matrilineares.

Escrito Por
Eunice Goncalves
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