O Presidente da República do Congo, Denis Sassou Nguesso, foi reeleito com cerca de 94% dos votos nas eleições realizadas no último domingo, segundo resultados provisórios anunciados pelo ministro do Interior, Raymond Zephyrin Mboulou, em transmissão na televisão estatal.
De acordo com os dados oficiais, a taxa de participação foi de 84,65%, apesar de observadores e relatos locais indicarem fraca afluência às urnas em várias zonas, incluindo na capital, Brazzaville.
Os resultados ainda carecem de validação pelo Tribunal Constitucional.
A vitória garante a Sassou Nguesso, de 82 anos, um novo mandato de cinco anos, prolongando para mais de quatro décadas a sua permanência no poder, num país da África Central rico em petróleo.
O processo eleitoral decorreu num ambiente de forte controlo de segurança.
No dia da votação, o acesso à internet foi suspenso em todo o país, o trânsito proibido e várias actividades comerciais encerradas. Forças da polícia e do exército patrulharam as ruas da capital, enquanto uma presença massiva de agentes foi registada nas assembleias de voto.
No dia seguinte, a circulação rodoviária foi retomada, mas a internet permaneceu indisponível, levando alguns habitantes de Brazzaville a deslocarem-se até às margens do rio Congo para tentar captar sinal proveniente da vizinha República Democrática do Congo.
Organizações da sociedade civil denunciaram ainda detenções de activistas, restrições à actividade política da oposição e um ambiente de repressão e vigilância reforçada durante o período eleitoral.
Apesar das críticas, as autoridades consideram que o processo decorreu dentro da normalidade, enquanto analistas apontam que o resultado reforça o domínio político de Sassou Nguesso e do partido no poder num contexto de fraca competitividade eleitoral.

