O empresário francês Vincent Bolloré, de 66 anos, será julgado em dezembro do corrente ano, perante o tribunal criminal de Paris, no chamado caso dos “portos africanos”. O anúncio foi feito nesta quinta-feira, 19, pela Procuradoria Nacional Financeira.
Bolloré é acusado de suposta corrupção de funcionários públicos estrangeiros e de cumplicidade em abuso de confiança, crimes relacionados com as campanhas presidenciais de 2010 no Togo e na Guiné.
Os investigadores suspeitam que subsidiárias do Grupo Bolloré tenham fornecido serviços de comunicação a preços abaixo do mercado às campanhas de Faure Gnassingbé e Alpha Condé.Por outro lado, alega-se que o grupo terá garantido o controlo de dois portos estratégicos: Lomé, no Togo, e Conacri, na Guiné.
Um coletivo formado por organizações não governamentais do Togo, Guiné, Gana, Costa do Marfim e Camarões, denominado “Restituição para a África”, acusa o Grupo Bolloré, o próprio Bolloré e o seu filho de terem recebido favores ilegais para administrar portos e, posteriormente, de “lavarem” dinheiro nesses países, por meio da venda dos seus negócios de logística em África.
A investigação foi aberta em 2013 e, em 2018, levou à acusação de Bolloré e de dois altos executivos da então subsidiária Euro RSCG, atualmente Havas.
Em 2021, Bolloré admitiu os factos no âmbito de um acordo de confissão de culpa e aceitou pagar uma multa de 375 mil euros, mas o tribunal de Paris rejeitou o acordo, abrindo caminho para este julgamento.
O negócio de portos e logística africanos do Grupo Bolloré, que o empresário vendeu em 2022, empregava mais de 20 mil pessoas em 20 países africanos, gerindo 16 portos, além de armazéns e centros de transporte em todo o continente.
Vincent Bolloré, fundador do grupo logístico homónimo, atualmente liderado pelo filho Cyrille Bolloré, é ainda acusado de “cumplicidade em abuso de confiança” em Puteaux e no Togo, entre 2009 e 2010, bem como na Guiné, entre 2010 e 2011.

