Centenas de candidatos que obtiveram classificação positiva no concurso público promovido pelo Ministério da Saúde (MINSA) nas candidaturas anteriores terão de voltar a inscrever-se e realizar novos testes para concorrer às mais de seis mil vagas previstas no próximo processo de recrutamento do sector.
A decisão tem gerado forte contestação entre os candidatos, que defendem o enquadramento com base nos resultados já anteriormente alcançados.
A medida surge depois de várias reclamações, protestos e manifestações protagonizadas por concorrentes que consideram injusto serem novamente submetidos a provas, apesar de já terem sido aprovados no concurso anterior. Muitos afirmam que a exigência representa um desrespeito pelo esforço e mérito demonstrados, agravando uma situação de incerteza que se arrasta há cerca de dois anos.
Em reacção ao descontentamento, um grupo de candidatos concentrou-se esta quarta-feira, 25, em frente à entrada principal do MINSA, em Luanda, para exigir o enquadramento directo. Na ocasião, a ministra da Saúde, Sílvia Lutucuta, recebeu os manifestantes e esclareceu que a aprovação no concurso anterior não garante ingresso automático na função pública, sublinhando que, nos termos da lei, “não existe outra via de ingresso que não seja por concurso”.
Apesar da explicação oficial, a decisão continua a ser vista por muitos como mais um entrave burocrático num sector que enfrenta carência de médicos, enfermeiros e pessoal de apoio.
Analistas consideram que a repetição do processo acaba por desvalorizar o mérito já demonstrado pelos candidatos, ao mesmo tempo que prolonga o défice de recursos humanos no sistema de saúde.
A abertura do novo concurso, esperada para os próximos dias, poderá intensificar ainda mais a tensão se não forem criados mecanismos que reconheçam o desempenho anterior dos concorrentes.

