A Agência para a Integração, Migrações e Asilo (AIMA) vai notificar, nas próximas semanas, 18 mil imigrantes para abandonarem o país, quatro mil 574 dos quais já na próxima semana, confirmou este sábado o ministro da Presidência, António Leitão Amaro, em declarações aos jornalistas.
O governante confirma assim a notícia avançada na edição deste sábado do Jornal de Notícias.
“Queria confirmar que o Governo foi esta semana informado pela AIMA que está a emitir quatro mil 574 notificações para abandono do território nacional de cidadãos estrangeiros em situação ilegal. Estes quatro mil 574 são o primeiro grupo de 18 mil indeferimentos, isto é, recusas, já decididas e, portanto, nas próximas semanas, o que temos pela frente são essas cerca de 18 mil notificações para abandono do território nacional”, disse Leitão Amaro.

Estes imigrantes serão notificados esta semana e têm 20 dias para abandonar o país voluntariamente. Depois desse prazo enfrentam a deportação coerciva. Se não for cumprida [a ordem de expulsão], numa eventual circunstância em que sejam identificadas – pode ser até numa operação de fiscalização de trânsito – nesse momento serão detidas e irão para um centro de detenção a aguardar a deportação.
O Governo fala em casos de cadastrados, de negação de residência em outros países e de falta de documentos obrigatórios. O número de deportações pode chegar aos 18 mil nos próximos meses, uma vez que a manifestação de interesse deixou de ser suficiente para residir em Portugal, na sequência de uma decisão do Governo em Junho do ano passado.
O impacto social e emocional de uma possível deportação, com a separação de famílias e a perda do seu quotidiano, é inegável. Embora a nacionalidade específica dos 18 mil imigrantes a serem notificados não tenha sido detalhada, a dimensão da operação da AIMA sinaliza um período de grande atenção e potencial instabilidade para a comunidade de imigrantes em Portugal, incluindo os cidadãos angolanos.

