Angola marcou presença na Conferência anual da Câmara Internacional de Escritores e Artistas (CIESART), realizada de 4 a 8 deste mês, na Câmara Municipal de Cuenca e no Centro Cultural Miguel Cervantes, em Espanha.
O encontro teve objectivo de reflectir e discutir os princípios que fortalecem a paz mundial, a promoção da literatura, a preservação das culturas e das línguas nativas, a promoção da ciência, a disseminação de todas as artes e a união das nações, segundo um comunicado de imprensa.
Representaram Angola as escritoras, académicas e diplomatas, Egna Alegre de Sousa, Fernanda dos Santos de Benedito, Sandra Mainsel, Sílvia da Cruz, Lenisha Baio e Luzia Oliveira, que partilharam visões sobre globalização, paz, comunicação e valores humanos num encontro que reuniu diversas culturas e nações.
A escritora e diplomata Egna Alegre de Sousa, indicada como presidente da Comissão Intercontinental para o Continente Africano da CIESART, apresentou uma intervenção centrada no trinómio Globalização, Paz e Justiça, defendendo uma globalização com rosto humano e alertando para o seu carácter ambíguo, sobretudo no contexto africano.
Sublinhou que, embora a globalização traga oportunidades económicas, intercâmbio cultural e acesso a mercados globais, também impõe desafios que exigem compromisso com a arte, a cultura e os valores civilizacionais.
Para a autora, a paz é um valor inegociável e deve ser assumida como compromisso activo entre as nações, sendo a cultura e a arte elementos unificadores que aproximam os povos. Concluiu apelando a uma cooperação internacional assente na fraternidade e no respeito mútuo.
Por sua vez a angolana Sandra Mainsel abordou o tema “Comunicação e Paz”, destacando a comunicação como essência da vida e principal ferramenta para a construção da paz. Recordou que “tudo começou com a Palavra” e defendeu que a falta ou distorção da comunicação está na origem de conflitos actuais, mencionando os cenários na Palestina e na Ucrânia.
Fernanda da Costa dos Santos de Benedito, Vice-reitora para os Assuntos Académicos da Universidade Agostinho Neto, destacou o papel da arte como elemento fundamental para a preservação da paz e da diversidade cultural. Realçou que grande parte das expressões artísticas nasce da palavra e da língua, sejam estas nativas ou herdadas de processos coloniais.
Defendeu a construção de um “mundo transcultural” alicerçado na paz e transformado pelo poder da palavra, do conhecimento e da educação, esta última considerada garante da soberania das nações.
A diplomata Sílvia da Cruz reforçou a centralidade do ser humano em qualquer acção pela paz.Sublinhou o papel de Angola na protecção e promoção da paz, lembrando que o país tem contribuído de forma significativa para a estabilidade em África e no mundo.
De acordo com a CIESART, a atribuição dos títulos Doctor Honoris Causa simboliza o reconhecimento do compromisso, da dedicação e do impacto global destas seis personalidades, cuja actuação continua a elevar o nome de Angola no mundo.
A CIESART é uma organização internacional cujo nome completo é Câmara Internacional de Escritores & Artistas. É legalmente constituída com personalidade jurídica em vários países, principalmente na Espanha e no Peru, e com formalização prevista em Genebra (Suíça).

