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Hands together praying in bright sky

OREMOS! As bençãos que protegem as guerras

Por: Miguel Manuel, jornalista e pesquisador

As orações feitas, nessa quinta-feira, 05 de março, pelo chefe da defesa norte americana, na Casa Branca ao lado do presidente Donald Trump e seus mais diretos colaboradores foi seguida por outra sessão espiritual conduzida por um grupo de pastores e demais líderes religiosos cristãos.

Em ambas ocasiões, pediu-se proteção e orientação para vitórias militares na guerra contra o Irão.Do outro lado do conflito, o Irão, país de religião islâmica de maioria Xiita( versão mais radical do islamismo) também, seus líderes, têm demonstrado fé inabalável na proteção e orientação de Alá, para o sucesso nesse sentido. Orações são frequentes em cenários de guerra.Ambos lados do conflito alegam que seus deuses são os verdadeiros e que desejam o fim do inimigo. Junta-se aos cristãos norte-americanos os judeus que, com a sua doutrina e dogmas oram ao Deus de Israel que, há séculos ganhou o título de “Senhor dos Exércitos”. Vale lembrar que o judaísmo foi a fonte do cristianismo, mas, judeus e cristãos, que comungavam das mesmas narrativas, separaram-se porque cada um, com o passar do tempo, defendeu que Deus e suas leis eram mais ao gosto de um do que de outro. Porém, nesse novo conflito, os dois antigos oponentes juntaram-se para combater os defensores do Deus-inimigo, Alá. Não é a primeira vez.

E sempre foi assim: há cerca de cinco mil anos, cada povo idealizou um Deus para o guiar nas guerras, quando precisou conquistar terras dos outros ou se posicionar política e culturalmente. Criou um Deus, na busca por comida, em tempos de fome, outro Deus, quando não havia chuva para o cultivo e aí vai. Muitos desses deuses desapareceram, à medida que o conhecimento baseado em evidências e as decepções causadas pelas faltas de respostas dos céus, dissiparam dúvidas e incertezas. Por muito tempo, essas divindades eram também também chamados de “altíssimos, todo- poderosos, reis dos reis e todos os títulos para os nomear acima de tudo. Zeus e Poseidon, na Grécia, Ahura Mazda e Mitra, na Pérsia (actual Irão) Mitra, na Pérsia e mais tarde adotado pelos romanos, Krhisna, na Índia, e uma centena deles já receberam orações de pedidos de toda ordem que se pode imaginar. Eram os deuses da vez. Nessa altura, a nação de Israel não existia ainda.

Depois desses e, nos últimos dois mil e quinhentos anos, em alguns casos, nos mesmos períodos, alguns antigos deuses ainda eram venerados e adorados, tais como El, desde o deserto das Arábias até norte de Israel ( da actual Arábia Saudita até a actual Faixa de Gaza) com seus semi- deuses, Baal, Javé e Istar entraram em cena para abençoar as gerações que precisavam de ajuda de um ser maior do que a força humana conseguia suportar. Era o começo da religião judaica, quase mil anos antes do cristianismo. Aliás, foi nesse período que os judeus, que enfrentavam muitos ataques das nações vizinhas, escolheram Javé como seu Deus. Isso porque das terras onde Ele saiu ( Mizran, actual Arábia Saudita e antiga Assíria) Ele era o Deus da guerra, dos trovões e agricultura. Considerando que essas três funções cobriam as reais necessidades dos judeus, fazia sentido escolherem essa divindade para colmatar suas carências imediatas: fome, falta de chuvas nas terras desérticas e derrotas militares constantes.

As guerras antigas, nas quais os deuses de cada nação era exaltado como seu defensor, mostraram que, quando havia vitórias, mais aumentava as crenças da existência e do apoio das divindades da guerra. Se perdessem, era por culpa dos homens que haviam depositado pouca fé e que, por isso, sofriam castigos. Saul, por exemplo, quando liderou a batalha israelita contra os filisteus, perdeu-as, o que o levou a acreditar que seus anteriores actos considerados pecados contra Deus eram as causas dos insucessos no teatro de guerra; daí ter procurado pela orientação do já falecido Samuel. Com isso, os oponentes sentiam que o seu Deus era mais poderoso que o dos derrotados.

Quando o império dos árabes islâmicos conquistou Israel, no oitavo século, d. C o discurso foi de uma vitória de Alá sobre os “infiéis, nesse caso, os filhos de Jeová. Os cristãos, em resposta, levantaram-se contra os islâmicos, nas cruzadas dos séculos 12 ao 15, para reposicionar seu deus no poder, que tinha sido derrotado, naquele território. Os judeus, que se apresentam como os escolhidos do mesmo Deus, estavam dispersos e assistiam aos cristãos lutar dentro da sua “terra prometida”. Já eram inimigos divididos há séculos, que se uniam para dividir as vantagens do pós-guerra contra os muçulmanos.

Na actual situação , na mesma sequência, os judeus/ israelitas estão a orar para o seu Deus para os dar vitórias militares nas guerras que estão a criar. Eles clamam pelo famoso “Deus de Israel, senhor dos exércitos”, mas atacam com mísseis e alta tecnologia bélica, não atacam e nem se defendem com sua bíblia, que chamaram de “ escudo protetor”. Os Iranianos, os sírios, os palestinos etc, estão a orar por Alá pelos mesmos motivos, mas não usam o alcorão para a guerra, apenas atacam e se defendem com mísseis.

Os cristãos, que creem no mesmo Deus e muitas doutrinas dos judeus, oram a Jeusus e seu pai, o mesmo dos judeus, mas usam todas as formas horrendas para tirar vidas. Todos justificam que são o povo escolhido pelo Deus que os defende e os orienta nas guerras.

O QUE VEM DOS CÉUS?

Afinal, que pai é esse que vê seus filhos mataram em seu nome e fica a assistir ao filme de terror que ceiva a vida de crianças e mulheres, sem um sinal da sua proteção? Está é escrito: “sou o criador de todas as coisas, dos céus e da terra e de tudo que nela existe “. Claro, sendo o dono de tudo, é também de todos os seres humanos que são mortos pelos que se dizem ser seus filhos legítimos e que, por isso, oram a Ti para os dar forças para matar seus irmãos, apenas porque não comungam das mesmas crenças. E eles, na condição de “infiéis “ também acham que estão com o Deus certo e fazem o mesmo.

Que pai divide os filhos por abençoar seus desejos de receber terras, riquezas naturais, egemonia política e outros interesses banais.

Facto é que, cada um desses grupos tem a certeza que está a fazer o bem em nome do Pai que o orienta e protege. Qual dos lados está a ser protegido?Os vitoriosos solidificam a crença de que a sua vitória provem da benção divina, já os derrotados sentem o sabor amargo de terem sido abandonados pelo seu “protetor” ou, para minimizar o sofrimento, argumentam que as derrotados resultam por terem pecado contra Ele ou por falta de fé genuína.

Entre vencedores e vencidos há perdas.

Não tem sido a mesma história desde que se fundaram as bases do judaísmo, cristianismo e islamismo? Cada povo sente ser o escolhido e digno de ser o detentor da verdade e legítimo conquistador? As guerras narradas na biblia são sempre travadas por ordem de Deus contra seus inimigos. Que inimigos são esses, que merecem ser esmagados sem piedade por causa de pedaços de terra, pão e mel?Há dois mil anos, as necessidades eram por alimentos que hoje são acessíveis a todos, leite e mel. Se a terra prometida dos tempos bíblicos mamava leite e mel, daí a justificativa de lutar por ela, com as armas da época, hoje, as terras prometidas que aguçam o apetite dos homens e os impelem a usar armas modernas, manam petróleo, gás natural, terras raras e minerais críticos. Por isso, vale lutar por elas. Irão, Síria, Líbano e outros territórios islamizados desse conflitos são fontes intermináveis desses recursos.

Quando esse “inimigo” se vê atacado, não tem o direito de criar um Deus para chama-Lo de seu e pedir a Esse orientação e proteção para se igualar ao seu oponente?

Olhando para os factos, sabe-se que todos venceram e foram vencidos. Os resultados desses conflitos patrocinados por Deus, devem levar a refletir, pelo menos, em algumas saídas: ou porque o pai não os ouve ou porque ele se alimenta de sangue e morte para justificar seu poder. Se essas duas hipóteses não forem suficientes, tentemos a terceira: nunca esteve presente, só existe na mente humana que o criou para resolver seus anseios, medos, desconhecimento das forças da natureza e das complicadas causas e explicações dos fenômenos humanos.

A EXTINÇÃO DE ANTIGOS POR MOVOS DEUSES

Os deuses extintos não desapareceram por serem falsos, apenas porque deixaram de ser úteis, quando o homem descobriu que podia ser senhor das suas próprias experiências e conquistas. Eles serviram por dois ou três mil anos, até perderem espaço para outras divindades, face as novas necessidades humanas. Se a história for fiel a si mesma, estaremos próximos de assistir a morte dos deuses dos últimos dois milénios.

A inteligência artificial tem dado mostras de que o que antes pareciam milagres dos céus não passava de incompetência do ser humano em resolver certos problemas que, com estudo, são hoje milagres da humanidade. A China inventou sol mais potente que o astro natural, tem o maior exército de robôs do planeta e criou mulheres artificiais que carregam bebês humanos por nove meses até darem à luz. Os Emirados Árabes provocam chuva com uso de tecnologia e a medicina está a dar soluções que antes pareciam impossíveis ao ser humano.

E se os novos deuses estiverem escondidos na Inteligência Artificial? Podem estar a se revelar aos poucos para substituir, gradualmente, os antigos?

Oremos, então!

Escrito Por
Eunice Goncalves
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