A República Democrática do Congo anunciou que irá proibir, a partir de Abril de 2027, a realização de pagamentos em numerário em moeda estrangeira, incluindo o dólar norte-americano, numa medida que visa reforçar o controlo monetário e valorizar o franco congolês, moeda nacional.
De acordo com informações avançadas por fontes ligadas ao sector financeiro, a decisão surge num contexto de forte dolarização da economia congolesa, sobretudo em centros urbanos como Kinshasa, onde grande parte das transacções comerciais, especialmente acima dos cinco dólares, é efectuada em moeda norte-americana.
A presença do dólar na economia do país remonta à década de 1990, período marcado por uma inflação galopante que chegou a atingir os 2.000% ao ano, levando a população a perder confiança no franco congolês. Desde então, a moeda local tem registado uma acentuada desvalorização, passando de cerca de 920 francos por dólar em 2010 para aproximadamente 2.300 francos na actualidade.
O Banco Central do Congo tem vindo, ao longo dos anos, a adoptar medidas para travar a dependência da moeda estrangeira. Em 2024, a instituição determinou que bancos e operadores financeiros configurassem terminais de pagamento electrónico para aceitar exclusivamente o franco congolês.
A medida é encarada como um passo estratégico para recuperar a soberania monetária do país e reduzir a dependência do dólar no quotidiano económico. Com uma população superior a 100 milhões de habitantes, a RDC continua a figurar entre os países mais pobres do mundo, apesar de possuir vastas reservas minerais que atraem o interesse de potências como a China e os Estados Unidos.

