O Gana deu um passo importante no reforço da inclusão financeira ao transformar o seu bilhete de identidade nacional, conhecido como Ghana Card, num instrumento capaz de realizar pagamentos digitais, compras em lojas físicas e online, bem como levantamentos em caixas automáticos (ATM).
A inovação foi implementada pela Autoridade Nacional de Identificação (NIA), entidade responsável pelo sistema nacional de identificação do país.
Com a nova funcionalidade, o Ghana Card deixa de servir apenas para fins de identificação civil e passa a integrar também uma carteira digital, permitindo aos cidadãos utilizarem o documento como um verdadeiro cartão bancário.
O sistema será aceite em mais de 200 países, possibilitando transacções internacionais seguras, além de acesso a serviços complementares, como seguros e assistência de emergência.Segundo as autoridades ganesas, a medida faz parte de uma visão estratégica assente em três funções principais do cartão: identificação, passaporte e pagamentos.
A vertente de identificação electrónica já está em funcionamento há vários anos, enquanto a função de passaporte electrónico foi activada em 2022, tornando o documento aceite como meio de viagem em 197 países.
Com a integração da carteira digital, o país completa agora a terceira fase desse projecto.A NIA explica que a plataforma foi desenhada para ser aberta e interoperável, ou seja, não estará dependente de um único banco ou instituição financeira.
O objectivo é facilitar o acesso da população aos serviços financeiros, sobretudo num contexto em que a penetração de cartões de crédito no Gana permanece muito baixa, estimada em apenas 0,6% em 2024.
Ao incorporar serviços bancários directamente num documento nacional, o Gana procura reduzir barreiras de acesso e aproximar mais cidadãos do sistema financeiro formal.
Embora outros países, como Índia, Estónia, Singapura, Dinamarca, Ruanda, Nigéria e Djibuti, já tenham explorado soluções que cruzam identidade digital e finanças, o caso do Gana destaca-se por integrar directamente a funcionalidade de pagamento no cartão físico de identificação, tornando-o um instrumento autónomo de transacção no quotidiano dos cidadãos.

