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Workers use excavators to clear the mud at the Dhunge Bazaar in Nepal's Nuwakot district on August 29, 2026 after flash floods and landslides hit the Nepal-Tibet border. Nearly 3,000 people were still missing on August 29 and 633 confirmed dead after flash floods and landslides hit the Nepal-Tibet border. (Photo by Arun SANKAR / AFP)

Uma Oportunidade para Derrubar Mitos

DILÚVIO DO NEPAL Semelhanças e diferenças.

A catástrofe no Nepal e no Tibet tornam-se uma amostra clara de como se forma o que se chamou de dilúvio.

Antes de a bíblia contar a famosa história sobre uma inundação universal, povos mais antigos como os sumérios( atual povos do Iraque e Kowait, ex- babilônicos, que influenciaram a cultura hebraica) já falavam de uma catástrofe, narrada no seu livro Epopeia de Gilgamesh, do qual os israelitas captruraram grande parte do que consta no livro de Gênesis.
Na Índia, no Egito e na China antigas, a história também era conhecida, sendo que, em cada lugar, os nomes dos personagens eram diferentes. Se a história se espalhou pelo mundo, terá havido uma causa. Qual será?

Há cerca de 7500 anos, grandes montanhas de gelo derretem-se, em consequência do aquecimento global que levou ao fim gradual da chamada Era do Gelo, há 12 mil anos, que cobria o que hoje chamamos Europa e partes da Ásia. O mar mediterrâneo, que banha o sul da Europa, o norte de África e o leste da Ásia recebeu o volume de água proveniente desse degelo, desviando todo excesso para o Estreito de Bósforo, que não suportou e cedeu, abrindo caminho para um lago, que nessa altura era de água doce, que veio a tornar-se, por causa dessa invasão de água salgada, no famoso Mar Negro, que transbordou, gradualmente.

Nesse período, as populações indo-europeias, começavam a habitar e a desenvolver as primeiras experiências de agricultara fora de África, nas regiões à volta do lago( Mara Negro). Foram essas pessoas as vítimas da inundação que passou a ser conhecida pelas populações que ouviam as histórias dos sobreviventes. Por esse motivo, atendendo a extensão do, agora Mar Negro, que passa por África, Actual Europa e Ásia, as narrativas deram lugar a muitas lendas heróicas. A maioria ligou o acontecimento a castigo divino. Era comum naqueles tempos atribuir toda catástrofe a forças sobrenaturais. Não havendo estudos científicos, tudo lhes parecia vir dos céus.

Se naqueles longínquos séculos não havia o tipo de tecnologia que usamos hoje para medir e registar os fenómenos, na actualidade, o homem consegue observar o surgimento e as consequências da dinâmica da natureza. Foi o caso do “ dilúvio” no Nepal e Tibete:

No dia 26 de agosto de 2026,o monte Langtang Lirung cedeu de uma altura de mais de cinco mil metros, arrastando grandes montanhas de gelo, pedras e neve derretida para rios e lagos da região, que transbordaram até engolir cidades interiras e partes de vilas e aldeias. Tal como no dilúvio antigo, o do Nepal afetou populações que viviam e desenvolviam suas actividades agrícolas e comerciais nas zonas ribeirinhas e foram surpreendidas pelas enchentes mortíferas.

A câmara de um turista que escalava montanhas bem próximas ao monte Langtang captaram o exacto momento, em que tudo veio abaixo, até atingir os rios. Imagens de satélite conseguiram mostrar a dimensão da área que cedeu. Situação diferente de há 7500 anos, quando algumas culturas dependiam apenas da imaginação para explicar o que não estava ao seu alcance. Portanto, era benção dos céus, se houvesse bons resultados ou era praga, se as coisas corressem mal.

Para o nosso deleite, hoje, tudo se vê num clique e se esclarecem factos, para não se tornarem mitos. O dilúvio do Nepal só mostra pessoas que toda vem, têm registo e parentes que os procuram no mar de lama e as consequências são medidas dentro do observável; não há espaço para criar personagens e lugares fictícios. Está tudo filmado e mostrado em tempo real. O dilúvio do passado foi passado de boca em boca e deu lugar a várias narrativas, diferentes personagens e consequências que diferem entre uma civilização e outra, que diz ter testemunhado, uma das quais, a encontrada na bíblia , a mais divulgada pela expansão do cristianismo, mas não sendo, por isso, a primeira nem mais realística.

Hoje, não há hipótese de dizer que as águas inundaram “toda a terra habitada” nem que um herói reuniu centenas de espécies de animais numa arca, para dar continuidade à vida pós dilúvio; estamos todos a ver. Porém, lições se podem tirar do que presenciamos, agora: os fenómenos dos nossos dias, são uma escola aberta para aprendermos que, se os estudarmos com realismo, muitos mitos cairão por terra.

Por: Miguel Manuel
Jornalista e pesquisador

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