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Carlos Lamartine homenageado na estreia do “Café dos Kotas”


O músico e compositor Carlos Lamartine foi homenageado, domingo, 20 de setembro, na primeira edição do “Café dos Kotas”, iniciativa promovida pela Rádio ZFM, em parceria com o Hotel Cacuaco, em Luanda.

Durante cerca de cinco horas, o encontro reuniu artistas, familiares, amigos, admiradores e diversas personalidades ligadas à cultura angolana, num ambiente marcado pela música, memória e partilha de histórias sobre a trajectória de uma das figuras de referência da cultura nacional.

Entre os presentes estiveram Dina Santos, Rosa Roque, Lopito Feijó, Santocas, Alves de Jesus e Júlio de Carvalho, que recordaram diferentes momentos da vida e do percurso artístico de Carlos Lamartine.

Para Rosa Roque, a homenagem constituiu um momento especial, por permitir celebrar, em vida, uma personalidade que considera um património vivo da cultura angolana.

“Não hesitei quando fui convidada, porque sabia que estaria rodeada de um património raro, vivo e conhecedor da nossa cultura”, afirmou.

A artista destacou igualmente a importância da iniciativa promovida pela ZFM e pelo Hotel Cacuaco, defendendo a continuidade do projecto.

Um dos momentos de maior atenção durante o encontro esteve relacionado com o Hino Nacional. Carlos Lamartine, que participou na sua criação e orientou o primeiro grupo coral, revelou que, além de Rui Mingas e Manuel Rui Monteiro, também estiveram envolvidos Carlitos Vieira Dias e ele próprio.

O músico lamentou, por isso, que apenas dois nomes sejam habitualmente associados à elaboração da obra.

“Apesar de apresentarem simplesmente Manuel Rui Monteiro e Rui Mingas, nós respeitamos esse princípio, não discutimos decisões”, afirmou.
Carlos Lamartine defendeu, entretanto, a preservação da memória colectiva sobre o contributo de todos os envolvidos.

“O Hino Nacional é uma construção deste grupo e em nome de todo o povo de Angola”, disse.
No encerramento da homenagem, o artista recebeu um retrato e um imbondeiro esculpido, oferecidos pela organização.

Durante a cerimónia, Júlio de Carvalho apresentou ainda uma proposta para que os troféus dos futuros homenageados do “Café dos Kotas” passem a designar-se “Prémio Carlos Lamartine”, como forma de perpetuar o nome e o legado do artista.

A ideia pretende transformar a homenagem numa referência permanente do projecto.

Valorização da memória cultural

O director da ZFM, Miguel Manuel, explicou que a iniciativa nasceu da necessidade de promover o conhecimento da história e da antropologia, ao mesmo tempo que se valoriza o artista enquanto património cultural vivo.

O responsável não revelou o nome do próximo homenageado, mas avançou que a organização avalia a possibilidade de realizar o “Café dos Kotas” no primeiro domingo de cada mês.
A programação terminou com momentos de confraternização e música.

Carlos Lamartine

José Carlos Lamartine Salvador dos Santos Costa nasceu em Benguela, a 29 de Março de 1943. É cofundador dos grupos Os Kissuekeia e Macacos do Ritmo e foi posteriormente vocalista dos Águias Reais.

Em 1970, gravou o primeiro single pela etiqueta “Ngola”, com as canções “Bazooka” e “Jesus dialá uá kidi”.

Quatro anos mais tarde, lançou o LP “Angola no I”, pela etiqueta CDA, gravado com o conjunto “Merengues” e considerado um importante registo da canção política angolana.

O seu último disco, “Caminhos Longos”, foi editado em 2007.

A homenagem permitiu revisitar diferentes momentos da vida e da carreira de Carlos Lamartine, destacando o seu contributo para a música angolana e o papel que desempenhou na história cultural do país, incluindo a sua participação na luta pela Independência Nacional e na utilização da música como instrumento de resistência e afirmação cultural.

Escrito Por
Eunice Goncalves
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