Angola assinala, hoje, 04 de Abril, o 23.º aniversário do Dia da Paz e da Reconciliação Nacional, data que marca o fim da guerra e o início da convivência pacífica entre os angolanos, no ano em que celebra 50 anos de Independência.
A 4 de Abril de 2002 era assinado, em Luanda, o Memorando de Entendimento do Luena, entre o Governo e a UNITA, após 27 anos de conflito armado, que provocou milhares de mortes, deslocados, órfãos e viúvas e a destruição de infra-estruturas importantes.
A busca pela paz foi, desde sempre, o desejo dos angolanos, mas só se tornou real depois da morte, em combate, do líder histórico da UNITA, Jonas Savimbi.

O pacto da paz começou a ser tratado a 18 de Março de 2002, na comuna de Cassamba, município do Luchazes, província do Moxico, quando o general de Exército Geraldo Sachipengo Nunda, das Forças Armadas Angolanas (FAA), e o então chefe do Estado-Maior das Forças Militares da UNITA, general Abreu Muengo “Kamorteiro”, assinaram um “pré-acordo” de cessar-fogo.
O acordo militar foi assinado a 30 de Março de 2002, no Luena, capital do Moxico. Mas o Memorando de Entendimento do Luena tomou forma a 4 de Abril de 2002, numa cerimónia solene, no então Palácio dos Congressos, em Luanda.
Coube aos generais Armando da Cruz Neto, pelas FAA, e Abreu Muengo “Kamorteiro”, pela UNITA, assinar o Memorando, na presença do então Presidente da República, José Eduardo dos Santos, representantes da sociedade civil, líderes religiosos e membros do corpo diplomático.
A partir daí, o 4 de Abril passou a ser uma das datas mais importantes na vida dos angolanos, ao lado da data da proclamação da Independência.
Este ano, as comemorações decorrem sob o lema “Angola 50 Anos: Preservar e Valorizar as Conquistas Alcançadas, Construindo Um Futuro Melhor”.
No entanto, em pleno Dia da Paz, a UNITA anuncia que não participará nas comemorações dos 50 anos da independência, enquanto Holden Roberto e Jonas Savimbi não forem igualmente reconhecidos como pais da independência e heróis nacionais.

Para a UNITA, maior partido na oposição, Holden Roberto, líder fundador da FNLA, e Jonas Savimbi, fundador da UNITA, devem ser reconhecidos pelo Governo angolano como pais da independência e heróis nacionais, ao lado de Agostinho Neto, do Movimento Popular de Libertação de Angola (MPLA, no poder desde 1975).
Várias figuras da vida política (incluindo nacionalistas e ex-combatentes dos três movimentos de libertação FNLA, UNITA e MPLA) económica, social, cultural e desportiva de Angola constam da lista de condecorações que estão a ser atribuídas hoje pelo Presidente angolano, João Lourenço, no âmbito das celebrações dos 50 anos da independência de Angola.

Pelo menos 247 personalidades constam desta primeira lista de homenageados e em vários círculos políticos e sociedade civil questionam as ausências dos nomes de Holden Roberto, Jonas Savimbi e de outras figuras que fizeram parte dos três movimentos de libertação do país.
Entretanto membros dos partidos da oposição consideram que os 23 anos de paz em Angola contratam com a actual realidade realidade do país, que enfrenta uma crise económica e social sem precedentes, com retrocesso no processo democrático.

O acto central do Dia da Paz e da Reconciliação Nacional, decorre na cidade do Luau, na província do Moxico Leste, presidido pela Vice-Presidente da República, Esperança da Costa.
A Vice-Presidente da República, afirmou, ao discursar na abertura do acto, que “a paz é o bem mais precioso que os angolanos alcançaram” desde a conquista da Independência Nacional, proclamada pelo saudoso Presidente António Agostinho Neto, fundação da Nação.

