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Parlamento discute hoje Proposta de Lei Contra Informações Falsas na Internet

Proposta de Lei contra “fake news” entra na fase final de aprovaçãoAs Comissões de Trabalho Especializadas da Assembleia Nacional vão definir, hoje, o cronograma para a discussão e votação, na especialidade, da Proposta de Lei sobre a disseminação de informações falsas na Internet, apresentada pelo Titular do Poder Executivo.

O diploma já havia sido aprovado, na generalidade, no final de Janeiro, numa votação bastante disputada, com 97 votos favoráveis, 74 contrários e 3 abstenções.

Após essa etapa, o documento seguiu para análise detalhada nas comissões especializadas e deverá regressar ao plenário para a votação final global, já com as contribuições técnicas incorporadas.

Na altura da aprovação inicial, o ministro das Telecomunicações, Tecnologias de Informação e Comunicação Social, Mário Oliveira, afirmou que a proposta se baseia numa abordagem regulatória moderna, diferente dos modelos tradicionais mais repressivos.

Durante a sua intervenção, explicou que o foco principal da lei não é controlar conteúdos, mas sim responsabilizar os agentes que possuem maior capacidade de amplificar a desinformação.

O governante alertou ainda que a desinformação pode tornar-se uma “arma perigosa” contra famílias, sociedades e Estados.Segundo Mário Oliveira, o diploma faz uma distinção clara entre informação falsa (“fake news”), conteúdos enganosos, opiniões, críticas políticas e o jornalismo legítimo.Ele destacou que apenas serão abrangidos os casos em que haja, simultaneamente, falsidade comprovada ou manipulação grave, intenção ou negligência significativa, e risco de causar danos relevantes a bens protegidos pela Constituição.

Essa definição, segundo o ministro, é essencial para evitar decisões arbitrárias.A proposta também estabelece um modelo de responsabilização diferenciada, incidindo sobretudo sobre plataformas digitais de grande alcance, operadores com forte capacidade de difusão e sistemas automatizados de propagação de conteúdos.

Quanto aos utilizadores comuns, o ministro esclareceu que estes não serão tratados da mesma forma que as plataformas, respeitando o princípio da proporcionalidade.Do ponto de vista técnico, o diploma prevê obrigações como maior transparência nos critérios de moderação, colaboração com autoridades competentes, criação de mecanismos para identificar e reduzir campanhas organizadas de desinformação, além da preservação de dados relevantes conforme a legislação.

Mário Oliveira reforçou que a proposta não prevê censura prévia, mas sim a aplicação de deveres reforçados de responsabilidade.Por fim, explicou que as sanções previstas serão aplicadas de forma gradual e proporcional, considerando a gravidade das infrações, a reincidência e o impacto social.

O ministro garantiu ainda que estão assegurados os direitos de defesa, incluindo o contraditório e a possibilidade de recurso administrativo e judicial das decisões.

Escrito Por
Eunice Goncalves
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