O Papa Leão XIV destacou, esta quarta-feira, a situação de pobreza e os problemas na gestão dos recursos públicos nos Camarões, no primeiro dia da sua visita oficial ao país.
Durante um discurso proferido no palácio presidencial, na presença do Chefe de Estado, Paul Biya, o Sumo Pontífice apelou à transparência na governação e ao combate firme à corrupção, sublinhando a importância do reforço do Estado de direito.
Numa intervenção considerada invulgarmente directa para uma visita papal ao estrangeiro, o Papa afirmou que “para que a paz e a justiça prevaleçam, as correntes da corrupção, que desfiguram a autoridade e lhe roubam a credibilidade devem ser quebradas”, acrescentando que “os corações devem ser libertados da sede idólatra pelo lucro”.
O líder da Igreja Católica instou ainda os governantes a “examinar as suas consciências”, defendendo uma gestão mais responsável e transparente dos recursos públicos como condição essencial para restaurar a confiança das populações e garantir o respeito pelos direitos humanos.
Apesar do tom crítico, Paul Biya manteve-se impassível durante a intervenção, não demonstrando reacções visíveis às observações do Papa.
O governo camaronês tem rejeitado, de forma reiterada, as acusações de corrupção e de violações dos direitos humanos, sustentando que a estabilidade proporcionada pelo actual regime tem permitido ao país evitar conflitos armados que afectam outras nações da região.
A visita do Papa aos Camarões insere-se numa agenda mais ampla de aproximação às realidades sociais do continente africano, com enfoque na promoção da paz, justiça social e boa governação.

