A República Democrática do Congo (RDC) cancelou o estágio de preparação da seleção nacional de futebol em Kinshasa, devido ao surto de Ébola que afeta o leste do país.
Com a decisão, os “Leopards” vão prosseguir a preparação na Bélgica, enquanto as autoridades congolesas enfrentam a crise sanitária, que já provocou mais de 130 mortes.
A Organização Mundial da Saúde (OMS) declarou o surto como uma “emergência de saúde pública de interesse internacional”, embora tenha esclarecido que a situação não é considerada uma pandemia.
O porta-voz da seleção, Jerry Kalemo, garantiu que os jogos amistosos na Europa serão realizados conforme previsto, destacando a importância da preparação da equipa para a primeira participação da RDC num Campeonato do Mundo desde 1974.
A seleção congolesa defronta a Dinamarca, na Bélgica, no dia 3 de junho, e o Chile, em Espanha, no dia 9 de junho.Segundo as autoridades locais, o estágio em Kinshasa foi cancelado devido às restrições de viagem impostas pelos Estados Unidos, um dos países anfitriões do Mundial, juntamente com México e Canadá.
As autoridades norte-americanas proibiram a entrada de cidadãos estrangeiros que tenham estado recentemente na RDC, Uganda ou Sudão do Sul.Todos os jogadores, assim como o selecionador Sébastien Desabre, estão baseados fora do país, pelo que as restrições não deverão afetar diretamente o grupo.
Relatos indicam ainda que o estágio previsto em Kinshasa contaria com a presença de adeptos e altas entidades do país, incluindo o presidente Félix Tshisekedi.Kinshasa localiza-se a cerca de 1.800 quilómetros da província de Ituri, no leste da RDC, onde o surto teve início.
Até ao momento, não foram registados casos na capital.As autoridades sanitárias continuam, entretanto, a apresentar números divergentes. A OMS reporta 139 mortes e cerca de 600 casos suspeitos, enquanto o Ministério da Saúde congolês aponta para 159 vítimas mortais.
O atual surto é provocado pela rara variante Bundibugyo do vírus Ébola, para a qual ainda não existe vacina aprovada. Segundo a OMS, o desenvolvimento de uma vacina poderá demorar até nove meses.

