O Presidente francês, Emmanuel Macron, e o seu homólogo ruandês, Paul Kagame, inauguram esta terça-feira, em Paris, um memorial dedicado às vítimas do genocídio ocorrido no Ruanda em 1994.
A cerimónia, realizada nas margens do rio Sena, representa mais um marco no processo de reconhecimento do papel desempenhado pela França durante os trágicos acontecimentos que provocaram mais de 800 mil mortes.
A inauguração acontece cinco anos depois de Macron ter reconhecido, em Kigali, as “responsabilidades esmagadoras” da França no genocídio que vitimou principalmente cidadãos ruandeses da etnia tutsi.As relações entre Paris e Kigali têm registado avanços significativos desde o discurso de 2021.
Durante o período do genocídio, a França mantinha ligações estreitas com o regime hutu então no poder, situação que levou a fortes tensões diplomáticas entre os dois países. Entre 2006 e 2009, França e Ruanda chegaram mesmo a romper relações diplomáticas, tendo Paul Kagame acusado anteriormente Paris de cumplicidade nos massacres.
Segundo as autoridades francesas, a instalação do memorial reforça a integração da memória do genocídio dos tutsis na história contemporânea da França. O monumento encontra-se próximo de importantes instituições do Estado francês, como o Ministério dos Negócios Estrangeiros e o Palácio do Eliseu, conferindo-lhe uma forte carga simbólica.A obra, intitulada “Arquivo”, foi criada pela artista portuguesa . De acordo com a Presidência francesa, o espaço foi concebido para servir como local de reflexão, preservação da memória das vítimas e transmissão do legado histórico às futuras gerações.
Situado em frente ao Quai d’Orsay, sede da diplomacia francesa, o monumento é composto por dois blocos de latão e apresenta a inscrição: “Aqui repousam, como arquivo, as vozes, as palavras, as memórias, as experiências, os sentimentos e as esperanças de vítimas e sobreviventes”.
Paralelamente a esta iniciativa memorial, a França continua a desenvolver medidas ligadas à justiça e à memória histórica, incluindo a investigação de suspeitos de envolvimento no genocídio residentes em território francês e a inclusão do genocídio ruandês nos programas de ensino secundário.

