O Papa Leão XIV pediu desculpas, nesta segunda-feira, 25 de maio, data em que se assinala o Dia de África, pelo atraso da Igreja Católica em condenar a escravidão, classificando-a como uma “ferida na memória cristã”.
O pedido consta da carta pastoral “Magnifica Humanitas” (Magnífica Humanidade), documento em que o pontífice aborda várias questões contemporâneas, com destaque para a ascensão da inteligência artificial (IA).“Em nome da Igreja, peço sinceramente perdão”, escreveu Leão XIV.
Embora outros papas já tenham reconhecido a responsabilidade histórica dos cristãos no tráfico de escravizados, as declarações do atual líder da Igreja foram mais longe.
O Papa João Paulo II denunciou a escravidão em 1992 e, no ano 2000, apresentou um amplo pedido de perdão pelas injustiças históricas cometidas pela Igreja. Já o Papa Francisco condenou repetidamente as formas contemporâneas de escravidão durante o seu pontificado.
Na nova carta pastoral, Leão XIV reconhece que a própria Igreja foi proprietária de escravizados até à Idade Média e que também assessorou soberanos europeus na justificação da escravidão de “infiéis”.“Foi necessário esperar até o século XIX para encontrar uma condenação formal, absoluta e universal da escravidão”, escreveu o pontífice.
O documento ressalta ainda que os acontecimentos do passado “não podem ser julgados de forma anacrónica”, mas sublinha que isso não deve servir para minimizar a demora da sociedade e da Igreja em denunciar “o flagelo da escravidão”.“Isto constitui uma ferida na memória cristã, da qual não podemos nos considerar alheios”, concluiu o papa

