Há mais de três décadas na Bélgica, a angolana Ana Cristina Feijó, de 47 anos, transformou a distância da terra natal numa oportunidade para estudar, crescer profissionalmente e manter viva a ligação com Angola. Formada em Gestão e Técnicas de Vendas, construiu uma trajectória marcada pela literatura, pelo jornalismo digital e pelo desenvolvimento de iniciativas voltadas para a valorização da mulher africana e da cultura angolana.
Foi a procura por melhores oportunidades de formação e crescimento profissional que a levou a emigrar. A mudança permitiu-lhe prosseguir os estudos e consolidar uma carreira nas áreas da comunicação, da escrita e do associativismo, sem nunca perder o vínculo com o país onde nasceu.Actualmente, exerce as funções de secretária-executiva e representante na diáspora do movimento cívico MONAAR, através do qual trabalha para fortalecer a ligação entre os angolanos residentes no exterior e contribuir para o desenvolvimento de Angola.
Uma revista para dar voz às mulheres africanas
Com o propósito de promover a igualdade, a inclusão e o reconhecimento do papel da mulher na sociedade, Ana Cristina Feijó criou a revista A Mulher Africana. A publicação nasceu para destacar histórias inspiradoras, divulgar iniciativas de impacto e criar um espaço de valorização das mulheres africanas.
Segundo a fundadora, a revista tem como missão informar, inspirar e promover o protagonismo feminino. O projecto tem conquistado leitores em Angola e na diáspora graças à diversidade dos seus conteúdos, que abordam temas como empreendedorismo, cultura, saúde, educação, liderança e histórias de superação.
A escrita como instrumento de transformação
Apaixonada pela literatura, Ana Cristina Feijó considera que escrever é uma forma de transformar realidades. Para si, as palavras têm o poder de inspirar, despertar consciências e provocar mudanças, razão pela qual cada obra representa uma etapa da sua evolução pessoal e profissional.
Entre os seus principais objectivos para os próximos anos estão a expansão da revista A Mulher Africana, o lançamento de novos projectos de comunicação e a continuidade da sua produção literária.Ao longo da sua caminhada, enfrentou desafios relacionados com a adaptação a um novo país, experiências que afirma terem fortalecido o seu carácter e contribuído para o seu crescimento. Destaca igualmente o apoio da família residente na Bélgica como um dos factores determinantes para o seu sucesso.
Um olhar permanente sobre Angola
Mesmo a viver na Bélgica há 31 anos, Ana Cristina Feijó acompanha de perto a realidade angolana e acredita que a experiência adquirida na diáspora pode contribuir para o desenvolvimento do país.Na sua visão, áreas como a comunicação, a educação, o empreendedorismo, a valorização da mulher e o desenvolvimento social devem continuar a merecer atenção. Defende igualmente que os eventos culturais desempenham um papel fundamental na preservação da identidade nacional, na aproximação entre as comunidades e na promoção da cultura angolana dentro e fora do país.
Para Ana Cristina Feijó, servir Angola não depende apenas do lugar onde se vive, mas do compromisso de continuar a trabalhar em prol do desenvolvimento do país e das suas pessoas.

