O antigo Presidente da Guiné-Bissau, Umaro Sissoco Embaló, confirmou a intenção de voltar a disputar a Presidência da República nas eleições previstas para 6 de Dezembro, naquele país da África Ocidental.
A confirmação foi feita esta segunda-feira, 28 de Setembro, durante uma entrevista à revista Jeune Afrique, concedida a partir de Brazzaville. Ao ser questionado sobre uma eventual recandidatura, Sissoco Embaló respondeu afirmativamente, declarando que será candidato.
A informação foi posteriormente repercutida por vários órgãos de comunicação social, entre os quais a Rádio Nacional de Angola (RNA), a RTP e a Lusa.
Na mesma ocasião, o antigo chefe de Estado anunciou que pretende regressar à Guiné-Bissau no dia 4 de Outubro. Embaló encontra-se fora do país desde a intervenção militar de 26 de Novembro de 2025, que interrompeu o seu mandato presidencial.
De acordo com informações avançadas pela Jeune Afrique e posteriormente citadas pela Lusa e outros órgãos, Sissoco Embaló deverá marcar presença no congresso do Movimento para a Alternância Democrática – Grupo 15 (MADEM-G15), agendado para os dias 16 e 17 de Outubro.
Após o congresso, está prevista a formação da denominada Plataforma Republicana, uma estrutura que deverá congregar diferentes forças políticas em torno da candidatura do antigo Presidente.
As eleições presidenciais e legislativas estão agendadas para 6 de Dezembro pelas autoridades de transição. O calendário eleitoral surge na sequência da crise política desencadeada pela tomada do poder pelos militares, em Novembro de 2025, que retirou Sissoco Embaló da Presidência e levou à criação de um Conselho Nacional de Transição.
O porta-voz do Conselho Nacional de Transição, Fernando Vaz, afirmou que o antigo Presidente poderá regressar ao país e concorrer às eleições, desde que observe as exigências previstas na legislação guineense. A validade da eventual candidatura deverá, segundo o responsável, ser apreciada pelas instituições competentes.
O anúncio do regresso acontece num cenário de intensa movimentação política. O líder do PAIGC, Domingos Simões Pereira, afirmou que irá analisar as condições políticas existentes antes de decidir sobre a participação no processo eleitoral, tendo igualmente levantado questões relacionadas com as garantias de igualdade e segurança para os candidatos.
Ao comunicar a sua intenção de regressar, Sissoco Embaló apelou a uma recepção pacífica e pautada pela tolerância e pelo respeito mútuo. O antigo Presidente defendeu ainda que o interesse nacional e a estabilidade da Guiné-Bissau devem estar acima das divergências políticas.
Umaro Sissoco Embaló esteve à frente da Presidência da Guiné-Bissau entre Fevereiro de 2020 e Novembro de 2025. O anúncio da candidatura, aliado ao regresso previsto ao país, recoloca o antigo chefe de Estado no centro da disputa política que antecede as eleições de 6 de Dezembro.

