A Dangote Petroleum Refinery and Petrochemicals formalizou nesta segunda-feira, 8 de Setembro, em Lagos, a maior Oferta Pública Inicial da história de África. A cerimónia de assinatura do acordo contou com a presença do presidente do Grupo Dangote, Aliko Dangote, e da Vetiva Advisory Services, instituição líder da operação, que já conta com aprovação da Securities and Exchange Commission da Nigéria.
A operação vai colocar à disposição do público 4,1 mil milhões de acções ordinárias ao preço unitário de 525 nairas, cerca de 0,40 dólares, com uma subscrição mínima de 10 acções, avaliada em 5.250 nairas. No total, a refinaria pretende captar mais de 2,15 biliões de nairas, o equivalente a aproximadamente 1,6 mil milhões de dólares, o que avalia a companhia em cerca de 50 mil milhões de dólares.
O calendário oficial divulgado pela emissora indica que a oferta abre a 14 de Setembro e encerra a 13 de Outubro, com a listagem prevista para Novembro na Nigerian Exchange. O período de subscrição será totalmente digital, através de aplicações bancárias, fintechs e corretoras, com validação via Bank Verification Number, sendo apontado como a primeira IPO 100% digital do país.
Durante a apresentação em Lagos, Aliko Dangote afirmou que a captação de recursos não é a principal motivação da operação. Segundo o empresário, a refinaria já gera um forte fluxo de caixa livre e levantou recentemente 2,5 mil milhões de dólares num private placement com sobre-subscrição de 270% junto de investidores institucionais.
O objectivo central, frisou, é democratizar a propriedade da refinaria. “Queremos que todos os seres humanos que vivem no continente façam parte desta acção. Estamos a visar 10 milhões de accionistas de toda a África e talvez de outras partes do mundo”, declarou. Dangote descreveu a iniciativa como um “IPO para o povo”, sem qualquer segregação de perfil económico, aberto a motoristas, cozinheiros, gestores, trabalhadores domésticos e empresários.
A meta de 10 milhões de accionistas representa um recorde absoluto para o mercado de capitais africano. Actualmente, o maior volume registado numa única operação na Nigéria ronda os 131 mil a 181 mil subscritores. Para os coordenadores, a Vetiva e a FirstCap, a dimensão da oferta deverá aumentar em mais de um terço a capitalização da bolsa nigeriana.
Os fundos angariados serão destinados ao programa de expansão da refinaria de Lekki, nos arredores de Lagos. Com capacidade actual de 700 mil barris por dia, já considerada a maior de África, a unidade planeia duplicar para 1,4 milhões de barris por dia até 2028, tornando-se no maior complexo integrado de refinação e petroquímica do mundo, segundo o CEO David Bird. A empresa opera como refinaria mercantil, processando diferentes tipos de petróleo bruto, e é actualmente o maior fornecedor de combustível de aviação para a Europa.
Para além de Lagos, o grupo estuda uma listagem cruzada nas bolsas de Joanesburgo, Egipto, Quénia, Gana e Ruanda, ampliando o acesso a investidores de todo o continente.

