A União Europeia anunciou, na segunda-feira, a suspensão das importações de carne bovina da Namíbia, após um surto de febre aftosa.
A suspensão inclui carne de animais de criação e selvagens com cascos, bem como certos produtos de carne processada.
No mês de setembro, a Namíbia anunciou o seu primeiro surto de febre aftosa, em 60 anos, na sua principal zona de criação comercial de gado, o que levou a uma proibição nacional da movimentação de animais e das exportações de carne.
A carne processada que passou pelo “tratamento de mitigação de riscos mais rigoroso” continuou elegível para entrada, afirmou a União Europeia.
A União Europeia é o maior mercado de carne bovina da Namíbia, representando mais de 80% das exportações do país.
Cerca de 10 milhões de quilos de carne bovina da Namíbia eram exportados anualmente para a Europa, afirmou a embaixadora da União Europeia, Ana Beatriz Martins, em entrevista à emissora namibiana NMH.
Um quarto dos 40 mil empregos diretos envolvidos nas exportações para a Europa seriam afetados pela suspensão, afirmou a diplomata.
Durante o último grande surto de febre aftosa na União Europeia, em 2001, mais de seis milhões de animais tiveram de ser abatidos, segundo o comunicado da delegação.
A febre aftosa causa febre e bolhas perto dos cascos e na boca, que impedem os animais de se alimentarem e, em alguns casos, podem levar à morte.
A doença atingiu vários países da África Austral, incluindo Botswana, Eswatini, Lesoto, Moçambique, África do Sul, Zâmbia e Zimbabué.
Desde que o surto no sul da Namíbia foi declarado, em 22 de setembro, a doença espalhou-se para 11 fazendas, disseram as autoridades.
O Governo ordenou o controlo da doença, incluindo vigilância intensificada, rastreamento e testes, controlo da circulação, bloqueios veterinários e medidas de biossegurança.
Em 2025, o país exportou mais de 13 mil toneladas de carne bovina, das quais mais de 90% tiveram como destino a Europa.

