O Prémio Nobel da Paz 2026 foi atribuído à jurista sul-africana Navanethem “Navi” Pillay, de 85 anos, em reconhecimento pelos seus esforços na promoção da paz e do direito internacional. O anúncio foi feito pelo Comité Norueguês do Nobel, na sexta-feira, 9 de Outubro, em Oslo.
Antiga Alta-Comissária das Nações Unidas para os Direitos Humanos, Pillay construiu uma carreira marcada pela defesa dos direitos humanos e pela promoção da justiça internacional.
Natural de Durban, na África do Sul, presidiu ao Tribunal Penal Internacional para o Ruanda, no final da década de 1990 e início dos anos 2000. Em 2021, integrou a Comissão Internacional Independente de Inquérito sobre o Território Palestiniano Ocupado, criada pelo Conselho de Direitos Humanos das Nações Unidas.
Em Setembro de 2025, a comissão publicou um relatório que concluiu que Israel cometeu genocídio na Faixa de Gaza, uma acusação rejeitada pelo Governo israelita.
Reacções à distinção
A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, felicitou a laureada, destacando a sua coragem perante as injustiças e o compromisso com a defesa dos mais vulneráveis.
Numa publicação na rede social X, Von der Leyen afirmou que poucas pessoas dedicaram a vida à justiça, à paz e à dignidade humana como Navi Pillay, considerando a sua coragem uma referência num mundo que precisa cada vez mais de justiça.
Por sua vez, o actual Alto-Comissário das Nações Unidas para os Direitos Humanos, Volker Türk, classificou a distinção como uma vitória colectiva para os direitos humanos, considerando o prémio inteiramente merecido, sobretudo num momento em que estes direitos enfrentam desafios em várias partes do mundo.
A secretária-geral da Amnistia Internacional, Agnès Callamard, que se encontrava com Pillay na Alemanha quando esta recebeu a notícia, também elogiou a escolha, destacando o seu percurso e compromisso com o direito internacional e a justiça internacional.
Reacção da laureada
No momento do anúncio, o Comité Nobel ainda não tinha conseguido contactar Navi Pillay para lhe comunicar a distinção. Mais tarde, a jurista recebeu a notícia enquanto participava numa conferência sobre crimes de guerra, em Nuremberga, na Alemanha.
Surpreendida, Pillay reagiu com humor, admitindo inicialmente que pensava tratar-se de uma brincadeira. A laureada agradeceu as manifestações de apoio e brincou com a possibilidade de dividir o prémio com o Presidente norte-americano, Donald Trump.
Além da medalha de ouro e do diploma, a vencedora receberá um prémio monetário de 12 milhões de coroas suecas.

