Os governos do Mali e do Níger lançaram novas acusações contra países vizinhos, alegando o seu envolvimento no apoio a grupos armados que operam na região do Sahel, agravando a já tensa situação diplomática na África Ocidental.
As declarações foram proferidas durante um fórum de segurança realizado no Senegal, onde o ministro dos Negócios Estrangeiros do Mali afirmou que determinados Estados da região estariam a “abrigar” e “apoiar” grupos terroristas activos no Sahel.
Embora não tenha identificado países específicos, o governante sugeriu ainda o envolvimento de potências externas à região.
Por sua vez, o chefe da diplomacia do Níger reforçou acusações semelhantes, afirmando que algumas nações que cooperam oficialmente no combate ao terrorismo estariam, na prática, a “alimentar e sustentar” a violência.
Mais tarde, clarificou que se referia à França, que, até ao momento, não reagiu publicamente às alegações.
Estas acusações surgem num contexto de crescente afastamento entre Mali, Níger e Burkina Faso e a CEDEAO, bloco regional do qual os três países se têm distanciado após sucessivos golpes militares e a criação de uma aliança própria.
A região do Sahel tem sido, nos últimos anos, palco de uma escalada de violência jihadista, afectando de forma persistente vários países da África Ocidental e Central.
Apesar da retórica mais dura, o ministro dos Negócios Estrangeiros do Mali admitiu que poderá subsistir uma cooperação limitada com a CEDEAO em matérias de interesse comum.
Analistas consideram que o agravamento das tensões diplomáticas poderá comprometer os esforços regionais de combate ao terrorismo, numa altura em que a instabilidade continua a alastrar-se por vastas áreas do Sahel.

